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Os capitalistas dizem as coisas mais incríveis


por Pete Dolack no Systemic Disorder


Tradução Heloisa Villela


O lucro deve ser o único direito humano já que é uma necessidade tão básica, o que a água não é. Apesar da moderna indústria de relações públicas ter tido sucesso rebatizando barões ladrões de “capitães da indústria”, nem mesmo o mais bem preparado batalhão de artilharia pode impedir, o tempo todo, os executivos das corporações de dizerem acidentalmente ao mundo o que realmente pensam.


Não é segredo que algumas das maiores corporações do mundo estão drenando aquíferos e revendendo água potável com grandes lucros. Mas eles querem ir mais longe e tornar obrigatório pagar pela água. A água é simplesmente mais uma “commodity de mercado” na visão deles – mais notoriamente propagada pelo presidente do Conselho diretor da Nestlé S.A., Peter Brabeck-Letmath em um vídeo de seis minutos divulgado por sua empresa.


É justo dizer que a aparente tentativa da Nestlé de projetar uma imagem de empresa que sobriamente lida com os problemas mundiais com uma racionalidade severa saiu pela culatra espetacularmente.


A linguagem corporal do Sr. Brabeck-Letmathe transforma em tolice a argumentação da Nestlé, apresentada após a divulgação do vídeo, de que ele não queria dizer o que disse. Começando na marca dos 2 minutos e 7 segundos, ele aparece dizendo:

“A questão é se devemos privatizar o suprimento normal de água para a população. E existem duas opiniões a esse respeito. Uma opinião, que eu acho radical, de ONG (organização não governamental) que martela a declaração de que a água é um direito público”.


O Presidente torce o rosto à ideia da água ser considerada um direito, depois deixa escapar um sorriso afetado demonstrando desprezo indisfarçável pelo que se segue imediatamente:


“Isso significa que como seres humanos vocês devem ter direito à água. Essa é uma solução extrema. E a outra visão diz que a água é um alimento como outro qualquer e como qualquer outro alimento ela deve ter um valor de mercado. Pessoalmente eu acredito que é melhor dar um valor ao alimento para que todos nós tenhamos conhecimento de que ela tem um preço e que é preciso tomar medidas específicas para a população que não tem acesso a essa água e aí existem várias possibilidades”.


O direito à água é “radical”!


Essa opinião pode ser considerada “radical” em muitas salas de reuniões de corporações, mas essas opiniões não estão livres de interesses corporativos.


Se o caminho para aumentar os lucros depende de privatizar bens comuns e serviços públicos, esse é o sistema de crenças que surgirá. Graças ao seu incansável trabalho de combater essas crenças “radicais”, 0,1% está vivendo muito bem, obrigado.


A diferença de perspectiva dos industriais e financistas e do resto do mundo é exemplificada pelo Sr. Brabeck-Letmathe na marca dos 5’34” do vídeo:


“Nós nunca estivemos tão bem. Nunca tivemos tanto dinheiro. Nunca fomos tão saudáveis. …Nós temos tudo que queremos e ainda vamos por aí como se estivéssemos de luto por algo”.


Talvez as coisas não sejam assim tão cor de rosa.


Sim, pare de choramingar somente porque os salários estão declinando em todo o mundo, o desemprego continua alto, a desigualdade está atingindo níveis nunca vistos desde os anos 20, o meio ambiente está perigosamente poluído, o aquecimento global está fadado a fugir de controle, o poder dos grandes capitalistas e de suas corporações multinacionais transformou a participação democrática em uma piada, trabalhadores mais velhos são jogados para fora de seus trabalhos e suas pensões são cortadas unilateralmente, existem poucos empregos para os trabalhadores jovens que estão mergulhados em dívidas, os custos de moradia e educação aumentarem bem mais rapidamente do que a inflação, e os governos mundiais dão as mãos aos capitalistas em uma corrida global ao fundo do poço sem prestar contas a seus eleitores.


Se sua ideia de democracia não é nada mais do que ter mais sabores de refrigerantes cola para escolher, então, com certeza, você tem tudo que quer.


Em um esforço para reduzir o estrago, a Nestlé subsequentemente divulgou um release alegando que seu presidente “pensa que a água é um direito humano”.


Acontece que, se fossemos acreditar na propaganda da Nestlé, ele estava meramente “tentando conscientizar a respeito de tema da falta de água. … Ele não é a favor da privatização, mas defende mais eficiência na administração da água para indivíduos, indústrias, agricultura e governos”.


Isso não casa com que o presidente da Nestlé disse claramente no vídeo. Nem leva em conta o papel da Nestlé em tornar a água ainda mais escassa.


A água, na verdade, é um grande negócio. A água engarrafada é dominada por três das maiores indústrias do mundo: a Coca-Cola Company (Dasani), a PepsiCo Inc. (Aquafina) e a Nestlé (Poland Springs, Deer Park, Arrowhead e outras).


As duas maiores empresas privadas de administração de água do mundo, Veolia Environment e Suez Environment, têm receita somada de US$ 51 bilhões. Muito para abocanhar, com certeza.


Pagando pela mesma coisa que sai da sua torneira


As empresas que vendem água engarrafada não estão necessariamente enviando equipes para montanhas remotas. Uma reportagem no AlterNet , de Michael Blanding, diz:


“Muitas vezes a água engarrafada é água da pia. Ao contrário da imagem da água cristalina brotando na montanha, mais de um quarto da água engarrafada, na verdade, vem de suprimentos municipais de água. … Tanto a Coca quanto a Pepsi usam exclusivamente água da torneira como fonte, enquanto a Nestlé usa água da torneira em algumas marcas. É claro que a Coca e a Pepsi fazem propaganda das medidas adicionais que tomam para purificar a água depois que ela sai da torneira, as duas empresas filtram a água várias vezes para remover partículas antes de tratá-la com técnicas adicionais como ‘osmose revertida’ e tratamento de ozônio. Osmose revertida, entretanto, não é nada sofisticado – consiste essencialmente do mesmo tratamento aplicado por filtros comerciais de água disponíveis para residências, enquanto ozonização (um processo de tratamento de água) pode incluir problemas adicionais como formação do químico bromato, suspeito de ser carcinogênico”.


Um estudo do Conselho de Defesa das Riquezas Naturais analisou mais de 1.000 garrafas que representam 103 marcas de água engarrafada e encontrou, em um terço, níveis de contaminação que ultrapassam os limites permitidos. Entre esses contaminantes existiam químicos sintéticos, bactérias e arsênico.


Não é apenas o engarrafamento e o empacotamento de água da bica que dá lucro – fornecer água da bica também é se ela for privatizada.


Um estudo da Food & Watch descobriu que:


Serviços privatizados tipicamente cobram 33% mais pela água e 63% mais pelo esgoto do que serviços de governos locais.


Depois da privatização, o preço da água aumenta cerca de três vezes mais do que o índice de inflação, com um aumento médio de 18% a cada dois anos.


O lucro das corporações, dividendos e impostos podem somar outros 20 a 30% aos custos de operação e manutenção.


Dúzias de municípios na França, Alemanha e Estados Unidos estão tomando de volta seus sistema de água e esgoto, revertendo privatizações anteriores. Governos locais consistentemente descobriram que a privatização levou a preços mais altos, reduziu os serviços e deteriorou as condições de trabalho para os funcionários que permaneceram em seus cargos.


As corporações que operam esses sistemas estavam apenas colocando em prática o que o presidente da Nestlé disse em seu vídeo: a água é uma mercadoria a ser comprada pelos que estiverem dispostos a pagar mais caro.


Em um caso notório, o Banco Mundial forçou a privatização do sistema de água na cidade boliviana de Cochabamba, em 1999. A Bechtel, empresa que recebeu o sistema de água depois de ter sido a única que apresentou proposta de compra em um processo secreto, cobrou uma quantia igual a um quarto da renda familiar média dos moradores e impôs um contrato que proibia a coleta de água da chuva. Depois que foi obrigada a deixar a cidade por causa de protestos massivos, que contaram com o apoio de uma campanha global, a Bechtel processou a Bolívia exigindo US$ 50 milhões por danos e lucros perdidos, apesar de seus investimentos serem estimados em menos de US$ 1 milhão e o faturamento da Bechtel ser seis vezes o tamanho do produto interno bruto da Bolívia.


Espera-se até que a previsão do tempo gere lucro


Outros serviços governamentais, que se considera garantidos, como a previsão do tempo, não são exceção. Apesar de soar bizarro, executivos de serviços privados de previsão do tempo como o AccuWeather vêm argumentando, há anos que o Serviço Nacional do Tempo do governo dos Estados unidos deve ser proibido de divulgar previsões meteorológicas.


O Serviço Nacional do Tempo é o que tem as previsões mais confiáveis do país e os contribuintes gastam milhões de dólares nele. Ainda assim, nós supostamente temos que eliminar este benefício público, convertê-lo completamente em subsídio corporativo para que um capitalista possa lucrar!


O conceito de que o conhecimento de uma tempestade que se aproxima deva ser revertido para aqueles dispostos a pagar foi defendido pelo AccuWeather e por um grupo lobista que se auto intitula Associação Comercial de Serviços do Tempo, com uma das luzes mais fracas do senado dos Estados Unidos, o fundamentalista Rick Santorum, que promoveu um projeto de lei em 2005 que impediria o Serviço Nacional do Tempo de divulgar previsões do tempo com exceção durante emergências específicas.


De acordo com a lei, a agência continuaria coletando dados e daria todos eles a empresas privadas.


O AccuWeather divulgaria as previsões sem arcar com o ônus de coletar seus próprios dados os recebendo de graça às custas do contribuinte.


Como salientou uma reportagem na revista eletrônica Slate , o texto da lei dizia:


“Dados, informação, direção, previsão e alertas devem ser divulgados … através de um portal de dados desenhado para acesso de volume por provedores comerciais de produtos e serviços”.


A velhacaria dessa lei foi revelada claramente naquele momento por Jeff Masters em seu blog Weather Underground :


“A indústria privada da previsão do tempo faz suas próprias previsões, mas em geral checa suas previsões contra o que diz o Serviço Nacional do Tempo antes de divulgá-las. Se a previsão do SNT é muito diferente, eles frequentemente fazem ajustes na direção das previsões do SNT, o que resulta em uma previsão de melhor ‘consenso’. Então, de acordo com a proposta de lei, não apenas perderíamos a melhor previsão do tempo disponível, mas as previsões das empresas privadas também piorariam”.


Mas um par de capitalistas teria um grande lucro – e daí se mais gente morreria em enchentes ou desastres naturais? Essa é a mágica do mercado em ação.


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Fonte: Privataria avança sobre a água que você bebe e a previsão do tempo»


Como O Globo pode ajudar a manter o Tijolaço


Fernando Brito, n’o Tijolaço, em 14.04.2014


Soube que o jornal O Globo está procurando uma associação entre este blog e publicidade oficial ou financiamento por algum órgão público, empresa ou político.


Então, vou facilitar a vida do colega escalado para fazer o “serviço”.


O Tijolaço sempre foi registrado em meu nome.


Já tentei fazer algumas parcerias para editá-lo, infelizmente, mal-sucedidas.


Ele é uma microempresa – Blog Tijolaço Comunicação Ltda ME , CNPJ 19.438.674/0001-09 – que recebe e paga exclusivamente através da conta corrente 50629-X, agência 1578-4, do Banco do Brasil.


Dela, somos sócios eu e Miguel do Rosário. Apenas, ninguém mais.


Disponho aqui, e usarei, do extrato bancário da conta que foi, finalmente, aberta em fevereiro, depois de muita burocracia, onde se verá que as únicas entradas de dinheiro em nossa conta são provenientes de depósitos modestos de nossos leitores (à exceção de dois, feitos por pessoas que tiveram a generosidade de depositar R$ 500 e R$ 1 mil). Todos entre R$ 10 e R$ 200, além de transferências do Pay Pal (assinatura por cartão de crédito) e R$ 4.600 provenientes de anúncios do Google, além de um único frila que fiz para uma empresa privada, referente à pesquisa de dados na Internet.


Nunca houve qualquer outra conta bancária, pagamento ou recebimento do Tijolaço.


Teria todo o direito, de, com quase quatro milhões de pageviews no mês passado, receber publicidade. Mas anunciantes, públicos ou privados, se retraem e tem medo de veicular nos blogs e ficarem “mal-vistos”.


Também usarei, se necessário, meu próprio extrato bancário, demonstrando que “comi”, no ano passado, o que havia economizado nos tempos em que tive cargo público e, muito embora engravatado, vivi modestamente, almoçando no “a quilo” Sertão e Mar, ali na Vila Planalto, em Brasília, que talvez algum de seus repórteres em Brasília possa conhecer dos tempos de vida dura.


Se o jornal estiver interessado em documentos comprometedores ou em alguma relação profissional que tive no passado, terei prazer em exibir os contracheques de pagamento feitos a mim por O Globo em 1978 – a data é esta, mesmo.


Basta me mandar um e-mail e marco dia e hora, em local público, para mostrar todos os documentos, desde que o jornal os publique.


E eu também os publicarei aqui.


Não apenas não recebi para participar da entrevista com Lula como ainda paguei a passagem do meu bolso, que anda apertadíssimo.


Se for uma matéria simplesmente jornalística, ótimo, a casa agradece.


Sobre minhas posições políticas, estão no blog, públicas, publicadas e assinadas.


Sobre quem financia o blog, agora também estão.


Não há nada o que esconder.


Mas não vou ser ingênuo de não entender que, mais importante do que a intenção do repórter é o desejo do jornal.


Agora, se O Globo pensa em se vingar do Tijolaço porque eu revelei – depois de 20 anos – ter redigido o texto do direito de resposta de Leonel Brizola na Rede Globo, meu desejo ardente é o que publique qualquer insinuação sobre nós.


Será, afinal, uma forma de ajudar a financiar este blog, porque será movido, imediatamente, um processo contra a empresa.


Aqui não tem ninguém medroso, que dobre os joelhos quando ouve o nome da Globo.


Tive vinte e dois anos de escola com Leonel Brizola, não vou desaprender agora.


Se algum repórter me procurar, será muito bem atendido, mas as informações já estão públicas.


PS do Viomundo: Você vai ficar aí parado, enquanto os irmãos Marinho atacam e tentam destruir a blogosfera? Ajude-nos ou você vai ficar falando no deserto!


Leia também:


Dilma diz, em Pernambuco, que “ninguém vai destruir a Petrobras”


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Fonte: O Globo tenta detonar o Tijolaço. Esses irmãos Marinho…»


Opinião do blog: Se Dilma exibisse metade dos “cojones” desta mulherada, passaria como trator sobre os que a difamam, inclusive em rede nacional de TV




Dilma: “Nada nem ninguém vai conseguir destruir a Petrobras”


do blog do Planalto, com ajuda do Olímpio Cruz Neto


Trechos do discurso da presidenta Dilma Rousseff Dilma em Ipojuca (PE), em 14 de abril


“Quero dirigir a vocês, chamando a cada um de vencedor, vencedor, quero chamar a cada um dos funcionários aqui presentes de vencedores. Vocês são, de fato, vencedores, porque fazem parte de uma empresa vencedora, que nada nem ninguém vai conseguir destruir no nosso país. Nós sabemos que a Petrobras é a maior e mais bem-sucedida empresa brasileira, ela é a maior empresa deste país, e esse título dificilmente alguém irá tomar da Petrobras.


A Petrobras deve isso aos milhares de homens e mulheres que integram a Petrobras, integram também seus fornecedores, integram os estaleiros, enfim, devem isso a todos vocês, mas devem isso também ao apoio do povo brasileiro, que ao longo da sua história, sempre se orgulhou e lutou pela Petrobras. Mais do que uma empresa, a Petrobras é, portanto, um símbolo, um símbolo da luta do nosso povo, da afirmação do nosso país, e um dos maiores patrimônios de cada um dos 200 milhões de brasileiros que integram a nossa população.


Por isso, a Petrobras jamais vai se confundir com qualquer malfeito, com corrupção ou qualquer ação indevida de quaisquer pessoas das mais graduadas às menos graduadas. Nós, com determinação, estamos aqui nos comprometendo a cada dia que passa que o que tiver de ser apurado vai ser apurado com o máximo de rigor, o que tiver de ser punido vai ser punido também com o máximo de rigor. É importante que vocês saibam que a auditoria da Petrobras, junto com o seu programa de prevenção à corrupção, as comissões de apuração, são os mais eficazes mecanismos de controle e fiscalização internos. E que os órgãos de controle e fiscalização, o Poder Judiciário, o Ministério Público, mas, sobretudo, a Polícia Federal e a Controladoria Geral da União, que são órgãos do governo federal, estarão sempre atentos para realizar a fiscalização e os controles externos.


Não podemos permitir, é bom dizer isso, como brasileiros que amam e defendem este país, que se utilizem ações individuais e pontuais, mesmo que graves, para tentar destruir a imagem de nossa maior empresa, a nossa empresa-mãe, ou para tentar confundir quem de fato trabalha a favor e quem trabalha contra a Petrobras. A história da Petrobras e da exploração do petróleo em nosso país, aqui no Brasil, ela tem sido cercada de muitos desafios, ela tem sido cercada de confusões, e até mesmo de armadilhas.


Primeiro, lá no início, chegaram dizer que não, nós não tínhamos petróleo, que não havia petróleo no Brasil. Ironicamente, anos depois, diziam que havia petróleo demais, riqueza demais e que, por isso, toda essa riqueza não podia ficar nas mãos de uma empresa pública, ou seja, nas mãos do povo brasileiro. De forma muito sorrateira, prepararam todo um processo que, se não interrompido, acabaria por conduzi-la fatalmente a mãos privadas. De tão requintado esse processo, chegou a fazer parte desse processo até a troca do nome, que seria Petrobrax, sonegando à Petrobras a sílaba que é a nossa identidade e a nossa nacionalidade, “bras” de Brasil.


Com o apoio de todas as pessoas, a Petrobras resistiu bravamente às tentativas de desvirtuá-la, reduzi-la e privatizá-la. Mas as tentativas de sucateamento deixaram marcas profundas, mas temporárias, não apenas na Petrobras, mas em toda a cadeia do petróleo que sustentava milhares de empresas nacionais, inclusive a indústria naval. Por anos seguidos, o favorecimento à importação de navios e plataformas, a falta de planejamento e a ausência de uma política de conteúdo nacional trouxeram sérios problemas para os fornecedores nacionais.


A redução dos investimentos em geral, em especial em tecnologia, a baixa valorização e a renovação do capital humano corroeram essa grande empresa. Mas ela teve força para resistir, como também soube adaptar-se com êxito à lei número 9.478 de 1997, que introduziu no Brasil o modelo de exploração por concessão, modelo justificável, onde o risco era e é muito elevado e ninguém sabe quanto petróleo vai achar. Graças ao pré-sal e à determinação política dos governantes deste país – eu me refiro ao presidente Lula e ao meu governo –, e também à toda a sustentação obtivemos no Congresso Nacional, com os senadores e os deputados, nós aprovamos em 2010 e implantamos em 2013, o modelo de partilha. Modelo de partilha que nos dá maior controle sobre nossa riqueza e melhor uso social dos recursos do petróleo, porque estamos priorizando a educação dos brasileiros.


O modelo de partilha é fundamental no pré-sal, porque lá no pré-sal o risco é muito reduzido, e sabemos que os volumes são muito elevados, e o petróleo é de muito boa qualidade. Daí a importância da partilha do petróleo, garantindo ao país a maior parte da riqueza do pré-sal. Fato muito relevante é que a nova lei que criou o regime de partilha para o pré-sal estabeleceu que a Petrobras deve ser a operadora desses megacampos, com uma participação de, no mínimo, 30%. Isso vai significar, no médio prazo, o fortalecimento da Petrobras em níveis jamais alcançados. Isso vai significar também uma demanda constante para a indústria naval, para esse estaleiro e todos os outros, garantindo a sustentabilidade, a perenidade dos empregos aqui criados.


Por isso, meus amigos e minhas amigas, está errado quando alguns dizem que a Petrobras está perdendo valor e importância no Brasil. Manipulam os dados, distorcem análises, desconhecem deliberadamente a realidade do mercado mundial de petróleo para transformar eventuais problemas conjunturais de mercado em supostos fatos irreversíveis e definitivos. Escondem, por exemplo, que em 2003, no início do Lula, a Petrobras valia apenas no mercado, porque ela sempre vai valer mais do que o mercado, mas naquela época valia no mercado R$ 15,5 bilhões. E hoje, mesmo com toda a crise internacional, mesmo com todos os problemas a elas ligados e as questões relativas e conjunturais da Bolsa, o valor de mercado da Petrobras chega a R$ 98 bilhões.


Ao contrário do passado, a Petrobras é hoje a empresa que mais investe no Brasil. Foram 306 bilhões de reais, aliás, de dólares, de 2003 a 2013, sendo que o ano passado chegou a 48 bilhões de dólares. É importante lembrar que em 2002, foram investidos apenas 6,6 bilhões de dólares. Isso significa que nesse período nós multiplicamos por seis o investimento na Petrobrás. O lucro líquido da Petrobrás também mudou de patamar. Passou, e aí está em reais, de 8,1 bilhões para 23,6 bilhões de reais.


Estas e outras conquistas provam que os nossos governos, o meu e o do presidente Lula, reergueram a Petrobras. Reconstituímos o seu programa de investimentos, valorizamos e aperfeiçoamos seu quadro de funcionários. Foi assim que a empresa se transformou na que mais investe em prospecção de petróleo no mundo e que tem mais expertise na prospecção em águas profundas e ultra-profundas. Foi por isso que descobrimos os megacampos do pré-sal, que mudou o nosso cenário petrolífero e vai ajudar a mudar, com eu disse, a qualidade da educação, porque os recursos dos royalties e 50% do fundo social do pré-sal vão para a educação, da creche à pós-graduação, o que vai levar o nosso povo a um outro patamar de desenvolvimento. E nós aqui estamos e sabemos que o fortalecimento da Petrobrás revolucionou a indústria naval brasileira.


Nós já dissemos aqui o quanto os empregos aumentaram. A previsão para 2017 é que, dos quase 80 mil que gera hoje, nós bateremos 100 mil empregos gerados na indústria de fornecedores, e entre [20]14 e [20]15, nós geraremos mais 17 mil empregos. E nós podemos também medir a Petrobras pela sua força, tanto em terra quanto no mar. Nós hoje temos em operação, para vocês terem uma ideia, 133 plataformas, 41 sondas de perfuração e 361 barcos de apoio. Muito mais virão, como disse a presidente da Petrobras aqui.


Em 2014, só em 2014, estão em construção 18 plataformas nos estaleiros e canteiros espalhados pelo Brasil, 28 sondas de perfuração, 43 navios-tanque para óleo, gás e refinados. Graças ao fortalecimento dessa empresa as nossas reservas chegaram a 16,6 bilhões de barris de óleo equivalente, e a relação entre a produção, o óleo existente e a produção, chegou a ser de 19 anos, enquanto nas grandes empresas e de 12 a 16. É uma coisa muito importante: o índice de sucesso. Em geral é 75, no pré-sal é de 100%. O índice de sucesso é aquele que faz com que você, ao furar, ache petróleo.


Por último um dado que fala por si mesmo. Entre 2003 e 2013, a produção de petróleo, Brasil e exterior, cresceu 21%, mais de 358 mil barris/dia, enquanto nesse mesmo período as outras petroleiras gigantes reduziram a sua produção em 15%, menos 338 mil barris.


Finalmente, minhas queridas amigas e amigos aqui presentes, como presidenta mas, sobretudo, como brasileira, eu defenderei, em quaisquer circunstâncias e com todas as minhas forças a Petrobras. Não transigirei em combater todo tipo de malfeito, ação criminosa, tráfico de influência, corrupção ou ilícito de qualquer espécie, seja ele cometido por quem quer que seja. Mas, igualmente, não ouvirei calada a campanha negativa dos que, por proveito político, não hesitam em ferir a imagem desta empresa que o nosso povo construiu com tanto suor e lágrimas, apesar da galera mangar, com as mãos encharcadinhas de óleo, mas também de muita esperança.


Quero concluir afirmando um princípio no qual eu acredito e que, tenho certeza, vocês também acreditam: a Petrobras é maior do que qualquer um de nós. A Petrobras tem o tamanho do Brasil”.


PS do Viomundo: Dilma é fraquinha, mas não acho que a ponto de sofrer de “síndrome de Estocolmo”, como dizem petistas adversários dela. Dilma quer ser aceita pelos que pretendem esmagá-la. Precisa passar uns três meses com a Cristina Kirchner. Desculpem o machismo, mas é para ver se desenvolve “cojones”. Aprendi com meu pai que aqueles incapazes de defender suas próprias ideias são covardes. Um partido covarde, que se nega a defender suas ideias, merece ser derrotado. Simples assim.


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Fonte: Dilma diz, em Pernambuco, que ninguém “vai destruir a Petrobras”»


A mídia atribui apenas à falta de chuvas. Será?


O “apagão” da água


por Carlos Neder*


Por mais que o governador Alckmin tente esconder, a situação real é que estamos muito próximos de um verdadeiro apagão da água no Estado de São Paulo. E o quadro só vai piorar durante a Copa do Mundo, quando inevitavelmente haverá aumento do consumo. Isso significa que, se nenhuma medida for adotada, não teremos água nas torneiras de nossas casas.


Há 10 anos o governo do PSDB, que está há cerca de 20 anos à frente da administração estadual, deveria ter construído uma nova rede de abastecimento. Ao renovar a concessão do Sistema Cantareira, em 2004, a Agência Nacional das Águas determinou que a Sabesp reduzisse essa dependência e aumentasse a oferta de água para abastecimento em volume equivalente à vazão atual.


Mas seguindo o cada vez mais questionável bom modelo de gestão tucana, que se esparrama também nos problemas nos trens e no metrô, nada foi feito. Com isso, as quase 9 milhões de pessoas que dependem da Cantareira se veem reféns do descaso do governo do PSDB e da falta de planejamento da Sabesp.


O fato de somente agora Alckmin começar, ainda de maneira tímida, a assumir a possibilidade de racionamento, com a súbita troca de comando da Secretaria de Recursos Hídricos, dá uma dimensão da gravidade da situação.


A realidade é que no Estado mais rico do país a população já convive com um rodízio forçado de água, inclusive em vários bairros da capital. A desculpa do órgão, que é ligado à administração estadual, é que se trata de interrupção momentânea no fornecimento por motivos técnicos. Uma grande mentira quando se sabe que o Sistema Cantareira já chegou a 12% de sua capacidade, a pior marca nos últimos 84 anos.


Especialistas dizem que se nada for feito com urgência a água certamente vai acabar em outubro. A situação é lamentável e muito revoltante, diante do alto lucro gerado pela Sabesp, com o pagamento de dividendos aos acionistas, enquanto faltam investimentos da empresa estadual para evitar crises como a que estamos vivendo.


O governo do PSDB é quem mais sai lucrando nessa história por ser o maior acionista da Sabesp. Para se ter ideia, entre 2011 e 2013, a gestão Alckmin recebeu R$ 725 milhões de dividendos. Enquanto isso, cidades como Guarulhos, com mais de 1,3 milhão de habitantes, enfrentam um duro racionamento desde o começo do ano.


A população de São Paulo precisa ter bem claro que a culpa da desastrosa falta de água é toda do governo estadual e da Sabesp. E do jeito que a coisa anda, não demora muito para que a população paulista tenha de incluir um novo componente em seu kit de higiene pessoal: caneca para tomar banho. Será essa a tão propalada gestão tucana de qualidade?


(*) O autor é médico e deputado estadual.


Leia também:


Paulo Henrique Amorim: A Polícia Federal como agência de notícias


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Fonte: Carlos Neder: A tentativa de esconder o “apagão” da água em SP»


do Muda Mais


2 DE ABRIL DE 2014


ERRARAM


Plim plim: dois pesos, duas medidas


O equilíbrio é um princípio importante para o bom jornalismo. Especialmente quando está baseado em critérios objetivos e pode, de alguma forma, ser verificado. Junto à busca pela verdade e à pluralidade de opiniões, ele forja os princípios da atividade jornalística moderna.


Se você tem a impressão de que este equilíbrio é muitas vezes colocado de lado na cobertura dos casos mais rumorosos da política nacional, você está certo. O Muda Mais fez os cálculos do noticiário do Jornal Nacional sobre as denúncias de formação de cartel e pagamento de propinas no Metrô de São Paulo e os comparou com a cobertura da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás. Resultado: a média de exposição diária do caso Petrobrás é nada menos do que 13 vezes maior do que o caso Alstom/Metrô de SP.


Entre 7 de novembro de 2013 e 25 de março último, ou seja, em 130 edições do JN, as denúncias e investigações sobre corrupção no Metrô de SP ocuparam cerca de 77 minutos do telejornal. Foram divulgadas 23 matérias. A mais longa teve 8 minutos e 15 segundos. Cinco delas duraram menos de 1 minuto. Em todas, o assunto era bem ponderado. Todos os acusados tinham direito de resposta para rebater as acusações. E todos, claro, refutaram. As expressões usadas nos textos das reportagem também são bem suaves. Para o Jornal Nacional, não há quadrilha, mas um “suposto cartel”. E não há acusados, mas suspeitos.


Em comparação, desde que o caso Petrobras/Pasadena eclodiu, há 11 dias, o Jornal Nacional dedicou a ele 64,5 minutos de cobertura. Foram 10 matérias, três delas com pelo menos 10 minutos cada. Nenhuma com menos de 3 minutos. E em todas não há suspeitos, mas acusados. E não há supostas questões contratuais no processo de aquisição da refinaria, mas irregularidades na compra da refinaria.


Vale a pena destrinchar os dados relativos às exposições dos dois casos no telejornal – que vai ao ar de segunda a sábado. Desde que surgiram as primeiras denúncias do caso do Metrô de São Paulo, os telespectadores ouviram “boa noite” da bancada do JN cerca de 130 vezes. Durante cinco meses completos, o tema foi abordado em 23 edições. Por outro lado, em apenas 11 dias – ou seja, 10 edições, excluindo-se o domingo – o caso Petrobras foi abordado em todas as oportunidades, ininterruptamente.


Portanto, se dividirmos o tempo total de exposição de cada um dos temas pelo número de edições que foram ao ar do telejornal desde a primeira aparição deles no noticiário, teremos algo curioso. Para o Metrô de São Paulo, nas 130 edições, houve 77 minutos de cobertura, ou seja, uma média de exposição diária de 35 segundos. Já o caso Petrobras chegou ao horário nobre da TV Globo por 64,5 minutos nas 10 edições, o equivalente a uma média de 6 minutos e 30 segundos de exposição diária. Os cálculos apontam para uma cobertura, proporcionalmente, 13 vezes maior do caso Petobrás em comparação ao do Metrô.


É compreensível que, em 130 edições, a temática acabe por se diluir e, portanto, apareça menos frequentemente ao longo do tempo. Chama a atenção, no entanto, que em apenas 10 edições, o caso Petrobras já tenha um tempo de exposição tão próximo ao caso do Metrô.


O tratamento desproporcional dado pelo Jornal Nacional a temas ligados ao PSDB e ao PT, ou, se você preferir, ao governo federal e ao governo do estado de São Paulo, não é propriamente uma novidade. Mas é sempre bom ir para a prancheta e colocar os pingos nos is. Se “ouvir os dois lados” é um princípio do bom jornalismo, que nome se dá quando eles são tratados com dois pesos e duas medidas?


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A resposta da Globo a Dilma


Eduardo Guimarães, no blog da Cidadania, em 14.02.2014


A coluna da jornalista Monica Bergamo na Folha de São Paulo da última quinta-feira feira (10) deu uma informação algo surpreendente: na segunda-feira (8), a presidente Dilma Rousseff recebeu o vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, que foi a ela com pleitos sobre a suposta interferência da rede de telefonia celular 4G na transmissão de tevê digital.


Segundo a jornalista em questão, Dilma teria manifestado a Marinho desconforto com o noticiário da Globo contra o governo federal. A matéria, tal como foi veiculada na coluna de Bergamo, deixa entender que a presidente teria, de alguma forma, vinculado o atendimento do pleito do barão da mídia a maior comedimento no partidarismo político da Globo.


Não se sabe se houve mesmo algo nesse sentido, mas não parece verossímil que Dilma propusesse tal barganha. O mais provável é que ela apenas tenha aproveitado a oportunidade, mas sem proposição de qualquer troca de favores. Até porque, para os barões da mídia seria uma troca muito aquém de suas pretensões hegemônicas.


Seja como for, Dilma teria ponderado com Marinho que sua emissora vem “carregando nas tintas” do noticiário contra o governo federal, e não só no caso Petrobrás. O Jornal Nacional da mesma terça-feira em que o vice-presidente da Globo e a presidente da República se encontraram teve 16 minutos de pancadaria contra o governo.


O telejornal em questão tem duração de pouco mais de 30 minutos. Ou seja: a Globo gastou metade de seu principal telejornal para atacar o governo com atraso nas obras da Copa, críticas à economia e, claro, com ataques à Petrobrás.


Naquele mesmo dia, enquanto Dilma e Marinho se encontravam, Lula dava entrevista a blogueiros…


Na noite do mesmo 8 de abril, o Jornal Nacional começou a artilharia com uma matéria sobre atraso em obras da Copa que durou 4:01 minutos. Mais 2:27 minutos foram gastos com o tema que levou Marinho a Dilma, a interferência da rede 4G na TV digital. E mais pancadaria sobre o governo com matéria sobre baixo crescimento da economia que durou 35 segundos, com o caso do deputado André Vargas por 2:47 minutos, com ataques à Petrobrás por 3:08 minutos, com a CPI da Petrobrás por mais 2:36 minutos. No total, foram 15 minutos e 56 segundos de espancamento do governo.


Até aí, a ponderação de Dilma com Marinho talvez não pudesse ter surtido efeito; tinham conversado horas antes da edição massacrante do JN. Vejamos, então, o que ocorreu nos dias seguintes.


Em 9 de abril, em 5 minutos de Jornal Nacional, durante 21 segundos o primeiro ataque ao governo Dilma se dá na questão da energia elétrica, supostamente subfaturada aos brasileiros por razões políticas. Eis que, como que para afetar “isenção”, o JN apresenta uma reportagem de 1:05 minuto desfavorável ao PSDB, sobre o racionamento de água que já ocorre na grande São Paulo, mas a Globo não diz. E a reportagem não toca na responsabilidade do governo Alckmin, apenas apresenta o problema que pode se abater sobre a grande São Paulo. Porém, logo o telejornal retoma o ataque ao governo. Foram 2:38 minutos para o deputado André Vargas, 2:04 minutos para a inflação, 2:58 minutos para a CPI da Petrobrás. Ao total, foram 7:23 minutos contra o governo do PT e 1:05 minuto contra o do PSDB.


Em 10 de abril, dia da nota na Folha sobre a queixa de Dilma a Marinho, mais 2:19 minutos para inflação, 2:02 minutos para incentivar as pessoas a economizarem água em São Paulo (uma bela ajuda a Alckmin), 2:39 minutos para criticar atraso nas obras das Olimpíadas de 2016, 38 segundos (isso mesmo, 38 segundos) para noticiar que o ex-ministro de FHC e candidato de Aécio ao governo de Minas Gerais (Pimenta da Veiga) foi indiciado por lavagem de dinheiro, 43 segundos contra o deputado André Vargas, 4:25 minutos para vincular Dilma e Lula a compra por FHC em 2001 de usinas termelétricas da Alstom (o que obrigou os petistas a manterem contratos que o tucano assinou), 23 segundos contra a Petrobrás e 1:44 minutos para dar razão à oposição contra o governo na ampliação do escopo da CPI da Petrobrás, atacando decisão de Renan Calheiros de permitir a investigação, também, de escândalos envolvendo PSDB e PSB. No total, foram 12:23 minutos contra o governo, 2:02 minutos a favor de Alckmin e 43 segundos contra o PSDB.


Em 11 de abril, o JN começa com Dilma na defensiva, dando explicações sobre a inflação em matéria de 52 segundos. Em seguida, notícia distorcida de 2:21 minutos de duração sobre recuo na atividade econômica, reportagem de 23 segundos sobre problemas nas obras da Copa, reportagem de 1:57 minuto sobre corrupção na Petrobrás, mais 1:36 minuto sobre o mesmo tema e mais 33 segundos sobre o doleiro envolvido com o deputado André Vargas. Desta vez, foram “só” 7:10 minutos, mas só contra o governo Dilma e o PT, sem nada contra a oposição.


Em ano eleitoral, quando a mídia escolhe maioria tão avassaladora de matérias desfavoráveis a um lado e gasta tão pouco contra o outro lado, provoca efeitos eleitorais. Alguns dirão que tudo que o JN noticiou contra o governo Dilma e o PT tinha que ser noticiado. Só que não existem problemas só desse lado.


O caso de Pimenta da Veiga, candidato do presidenciável Aécio Neves ao governo de Minas e que foi indiciado por lavagem de dinheiro, por certo mereceria bem mais do que 38 segundos. O racionamento de água no maior centro urbano da América Latina – bem como as responsabilidades pelo problema – mereceria muito mais atenção de um jornalismo sério. O escândalo do cartel de trens em São Paulo, já em fase adiantada de investigação, inclusive com políticos do PSDB sendo investigados pelo STF, esse sumiu de vez.


Ao deputado André Vargas poder-se-ia contrapor Robson Marinho, homem forte do tucanato paulista no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e que está envolvido até o pescoço no escândalo dos trens paulistas, mas continua trabalhando normalmente. Ou poder-se-ia contrapor o caso de Pimenta da Veiga, muito mais grave. Mas o JN faz suas escolhas…


O que impressiona é a presidente Dilma ter achado – se é que a matéria de Monica Bergamo é verdadeira – que poderia chamar um dos irmãos Marinho à razão. Aliás, melhor dizendo, chamá-lo à responsabilidade, já que, por ser uma concessão pública, a faixa do espectro radioelétrico que a Globo ocupa não pode ser usada com fins político-partidários.


PS do Viomundo: Surpresos? Agora vocês entendem o que foi que revoltou um grupo de jornalistas da TV Globo de São Paulo, durante a campanha eleitoral de 2006. Além dos escândalos produzidos pelo serviço de inteligência da campanha tucana, que passam a dominar o noticiário, o viés do Jornal Nacional torna-se completamente amargo alguns meses antes das eleições. Mera coincidência.


Leia também:


Os ataques da Folha ao Ipea, na Venezuela


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Fonte: Dois telespectadores que se espantaram com o Jornal Nacional»



FOLHA AGORA ATACA IPEA NA VENEZUELA


por Gilberto Maringoni


A Folha de S. Paulo desta quinta (10) faz novo ataque ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).


O torpedo se volta o relevante trabalho desempenhado desde 2010 pela Misão Ipea na Venezuela, que deveria ser a primeira de uma série de iniciativas de integração regional. Outros escritórios seriam abertos em países do Mercosul.


Não serão mais, pela mudança de rumos ocorrida no Instituto.


Aproveitando o embalo dos problemas na consolidação da pesquisa sobre violência contra as mulheres, o jornal busca desqualificar o trabalho inovador realizado por Marcio Pochmann à testa do Instituto (2007-2012).


O correto seria buscar entrevistar o atual presidente do Ipea. Mas não. E isso tem razões claras.


Marcio provocou uma verdadeira revolução nos trabalhos do órgão. O número de pesquisas e publicações aumentou sensivelmente, bem como os campos de análise. O Ipea abriu-se para áreas que iam além da economia, abrangendo sociedade, antropologia, cultura, história e relações internacionais.


Seus estudos tornaram-se referência não apenas para órgãos governamentais, mas também para entidades associativas e movimentos sociais. A pauta dominante convergia para temas ligados ao desenvolvimento.


Como se sabe, Dilma Rousseff retirou o desenvolvimento da agenda nacional e realiza um governo de perfil ortodoxo e medíocre na seara econômica. Com isso, a gestão de Pochmann passou a ser um incômodo.


Por pressão de Wellington Moreira Franco (PMDB-RJ), nomeado ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos na partilha de cargos para compor a base aliada, a presidenta decidiu nomear o economista Marcelo Neri para a presidência da instituição. Neri desposa teses abertamente neoliberais e focou os trabalhos na incerta “nova classe média”.


Um de seus objetivos é acabar com as missões no exterior.


Para isso, a Folha dá sua desinteressada ajuda.


Os termos da matéria são levianos, a exemplo deste: “Única representação internacional do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a filial do órgão na Venezuela prioriza análises favoráveis ao chavismo e projetos de integração com o Brasil ao estudo dos graves problemas macroeconômicos do país”.


O chefe da missão na Venezuela é o economista Pedro da Silva Barros, doutor pela FEA-USP. Em menos de quatro anos, ele produziu e coordenou dez relatórios específicos no âmbito da cooperação bilateral, com temas ligados à urbanização, indústria petroquímica, desenvolvimento na região da fronteira, integração produtiva entre os dois países etc.), oito cursos sobre negociações internacionais e políticas públicas, dois livros, seis artigos e relatórios de pesquisa, participação em 21 seminários, conferências, palestras e debates, três congressos acadêmicos e várias publicações em jornais, revistas e sites. Os dados constam de memorando enviado pelo economista ao jornal paulistano.


A Folha reclama que o tom dos trabalhos ”varia entre o neutro e o elogioso ao chavismo”.


Não é verdade. O problema é que a mídia brasileira – useira e vezeira em distorcer fatos sobre o país – só acha relevantes e com credibilidade matérias que ataquem de frente os governos Chávez e Maduro. Por omitirem conquistas reais – como elevação da qualidade de vida, fim do analfabetismo, melhoria da distribuição de renda etc. –, tudo o que não faça coro com uma cobertura, no mais das vezes enviesada, significa “politizar” as coisas, como malandramente insinua a matéria.


O texto do jornal critica ainda o fato de Pedro Barros escrever e opinar sobre a política venezuelana em sites e blogs.


Ou seja, um jornal que alega defender com unhas e dentes a liberdade de expressão quer impedir justamente a liberdade de expressão.


Em tempo: fui bolsista do Ipea entre 2008 e 2011 e editor da revista ‘Desafios do desenvolvimento’ entre 2011 e 2012.


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Esculacho na Fiesp: Denunciados nas ruas os que bancaram os golpistas



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Fonte: Gilberto Maringoni: Os ataques da Folha ao Ipea na Venezuela»


Lulinha, o pai e a “propriedade da família”: a sede da ESALQ de Piracicaba


Filho de Lula ri de história sobre fazendas e Friboi


por Gilberto Nascimento, no Mosaico Político, do Brasil Econômico, em 11.04.2014


Fábio Luís, acusado de ser dono de grandes áreas de terra e supostas mansões e aviões, quer punição a boateiros


Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente Lula, foi alvo de piadas e brincadeiras de blogueiros presentes à entrevista com o seu pai na terça-feira, em São Paulo. Ele foi questionado por não estar, naquele momento, cuidando de suas fazendas ou administrando os negócios da Friboi. Lulinha riu.


O filho do ex-presidente é alvo de boatos na internet de que seria dono de grandes áreas de terra e supostas mansões e aviões, além de empresas. Uma das áreas mostradas é, na verdade, da Escola Superior de Agricultura (Elsalq), de Piracicaba.


Agora, ele até trata a questão com bom humor. Mas Lulinha, que acompanhou a entrevista com o pai no Instituto Lula, pediu a abertura de um inquérito no 78º. DP, na capital paulista, para a identificação dos responsáveis por esses comentários.


Seis internautas já foram chamados a depor. Apenas um, Daniel Graziano, ainda não compareceu. Daniel é gerente administrativo e financeiro do Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC), ligado ao ex-presidente tucano. É filho de Xico Graziano, coordenador da área de internet do pré-candidato do PSDB à presidência, Aécio Neves. Procurado no iFHC, ele não retornou.


Os outros intimados — Roger Lapan, Adrito Dutra Maciel, Silvio Neves, Paulo Cesar Andrade Prado e Sueli Vicente Ortega — disseram acreditar que os comentários sobre compra de fazendas e aviões fossem verdadeiros e não teriam “pensado na hora de fazer as postagens”. O advogado de Lulinha, Cristiano Zanin Martins, diz aguardar o resultado das investigações para definir se entrará ou não com processo contra as pessoas que “macularam a imagem” de seu cliente.


Filho pop


Lulinha mora no Paraíso, na capital paulista, numa área de classe média. No seu prédio, nenhum morador conversa com ele. Por outro lado, diz ser abordado o tempo todo pelos porteiros, faxineiros, garçons e frentistas que querem bater papo e perguntar sobre seu pai.


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Tudo sob controle


por Luiz Carlos Azenha


Recentemente entrevistei Fabio Venturini para falar sobre o golpe civil-militar de 1964.


Ele fez mestrado estudando o papel dos empresários em 1964 e faz a doutorado sobre os empresários e a Constituição de 1988.


Um dos aspectos mais importantes da entrevista acabou não sendo gravado: foi quando debatemos sobre a possibilidade de um novo golpe no Brasil.


Fabio discorda de minha posição e acha que é possível. Por que? O estudioso afirma que as soluções extra-constitucionais são frequentes no país. Neste momento, concorda, não há consenso entre as elites econômicas internacionais e nacionais para golpear Dilma Rousseff.


Porém, Fabio acrescentou um dado que fugia ao meu radar: o ódio social.


Hoje, ao contrário de em 64, há um tremendo ódio disseminado inclusive pelas redes sociais.


É o ódio de classe.


Traduz a insegurança da classe média quanto a seu próprio status, quando pobres, mulheres e negros ameaçam os tradicionais papéis sociais na conservadora sociedade brasileira.


Fabio acredita que a exploração deste ódio tem forte potencial político e pode descambar para a violência em caso de frustração.


O ódio se expressa, digo eu, no antipetismo doentio que podemos encontrar em qualquer bolsão de classe média urbana. Ele é responsável e ao mesmo tempo ecoa o ódio que se lê, ouve e vê nos jornais, emissoras de rádio e TV.


Hoje, ouvindo o noticiário da rádio Jovem Pan, ele estava lá de forma cifrada.


A certa altura, o texto do radiojornal falou que as eleições poderiam preservar “tudo que está aí” ou escolher alguém “para consertar”.


Um comentarista entrou para descrever os horrores que tomam conta de empresas públicas, mencionando o IPEA, o IBGE, a Eletrobras e a Petrobras.


Tudo em crise!


Um bloco terminou com a notícia de que a Bovespa tinha fechado a semana em alta, apesar das péssimas notícias no front econômico, por causa da possibilidade de Dilma Rousseff perder a eleição.


É a Jovem Pan em campanha mas, ao mesmo tempo, expressando o que seus funcionários de classe média pensam e querem para o Brasil.


A possibilidade de um racionamento de água em São Paulo não foi noticiada. Falou-se na represa de Guarapiranga quase vazia, sim, mas fiquem tranquilos: o governador Geraldo Alckmin já resolveu tudo.


Nos intervalos, anúncios da Sabesp.



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Ronald Barata: Não há chance de golpe no Brasil


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Fonte: Fabio Venturini: Ódio social é componente que estimula golpe»


A mentira do Estadão sobre a entrevista de Lula


Por Paulo Nogueira, em 10.04.2014, no DCM


Você avalia o compromisso com a verdade de algum veículo quando conhece o assunto.


Leio que o Estadão, em editorial, afirmou que os blogueiros convidados por Lula para uma entrevista tiveram que garantir que não fariam perguntas incômodas e nem contestariam respostas.


O DCM foi convidado, na pessoa de Kiko, e participou da entrevista, e podemos dizer: o Estadão mentiu.


Nenhuma instrução foi dada. O convite chegou a Kiko, e depois foram dadas breves explicações sobre como seria a entrevista. Foi só isso. Não houve um único pedido ou uma só recomendação.


Repito: o Estadão mentiu.


Que Lula tenha escolhido falar com representantes da internet, e não da mídia tradicional, é fácil de entender.


Primeiro, ele queria reconhecer formalmente a importância da internet no debate jornalístico brasileiro, e como contraponto ao conteúdo viciado das grandes empresas de jornalismo.


Depois, ele sabia que suas palavras não seriam deturpadas, e também que não lhe seriam preparadas armadilhas por quem tem recorrido a um abjeto valetudo para sabotar qualquer iniciativa destinada a retirar velhos privilégios que levaram o Brasil a ser um campeão mundial da desigualdade.


Lembro que Dilma concedeu, em seus primeiros tempos de presidência, uma entrevista à Veja. Não apenas ela foi editada ao gosto da revista como, na introdução, Dilma levou cacetadas absolutamente gratuitas.


Cada participante, isso foi avisado, poderia fazer uma pergunta. Num ambiente de neutralidade, que perguntas eram mais importantes do que as que giraram em torno da Petrobras, da Copa e da especulação em torno da candidatura de Lula em 2014?


Contraponha a isso à atitude de Augusto Nunes, que num Roda Viva com Lobão perguntou a ele: “O que você acha da Dilma?” Nunes sabia que Lobão diria as barbaridades de sempre.


Nunes deveria ser convidado? Ou Jabor? Ou Azevedo? Ou tantos outros que, para agradar a seus patrões, se esmeram em atacar o PT?


Entendamos. Existem muitas razões para criticar o PT, e o DCM tem feito isso com frequência. A lentidão do PT em fazer mudanças profundas que reduzam substancialmente a desigualdade é exasperante.


Mas os ataques da mídia vêm, sempre, pelas razões erradas – pela manutenção dos privilégios dela e de seus iguais.


Lula fez o que qualquer pessoa de bom senso faria. Cercou-se de uma bancada que não estava lá para destruí-lo.


Vi, pela internet, a entrevista, e disse a Kiko tão logo ela terminou que a achara “extraordinária”. Sobretudo por conta do entrevistado. Os que conhecem Lula sabem quanto ele é carismático e convincente. Conta histórias como poucos, e torna divertida qualquer conversa.


A entrevista só funcionou porque as pessoas reunidas ali não queriam matar Lula, e isto é um fato da vida.


Leio também que o Zero Hora escreveu que não houve “neutralidade” porque os blogueiros eram “assumidamente governistas”.


Um momento: será que eles conhecem o DCM? Nosso apartidarismo é uma cláusula pétrea em nossa missão.


Conectamos pessoas interessadas no projeto de um Brasil socialmente justo, um Brasil “escandinavo”, como tantas vezes escrevi.


Nosso partido é este, e apenas este: um Brasil melhor do que o que temos.


O Zero Hora, pelo visto, não nos conhece – e então não deveria escrever a tolice que escreveu.


Também este tipo de atitude – afirmações levianas baseadas na arrogância e na falta de informação – ajuda a entender a falta de representantes da mídia tradicional na entrevista de Lula.


PS do Viomundo: Reafirmamos que o Estadão mentiu. Não houve nenhuma instrução em qualquer sentido da assessoria do ex-presidente Lula quanto ao teor das perguntas. Nada foi dito a mim, Azenha, nem à Conceição Lemes. Portanto, mentira!



Leia também:


Entrevista de Lula a blogueiros: Zero Hora mente e omite informações


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Fonte: Paulo Nogueira: O Estadão mente sobre a entrevista de Lula»


REPASSES


CPI do Mineirão depende de apenas uma assinatura


Pedido de investigação sobre contrato do governo com Minas Arena estava engavetado há um ano


PUBLICADO EM 10/04/14 – 03h00


LUCAS PAVANELLI, no diário mineiro O Tempo


Os deputados Mário Henrique Caixa (PCdoB) e Marques Abreu (PTB) assinaram nessa quarta o requerimento para abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o contrato entre o governo de Minas e a Minas Arena – consórcio que venceu a licitação e gerencia o Mineirão.


Com os nomes dos dois parlamentares já são 25 os deputados que concordam com a abertura das investigações, o que significa que falta apenas a assinatura de mais um parlamentar para que a investigação saia do papel. Com 77 deputados, o regimento da Assembleia exige número mínimo de 26 assinaturas para instaurar a comissão.


O pedido de CPI foi apresentado pela oposição em fevereiro do ano passado, mas, desde então, estava parado. Na última segunda-feira, O TEMPO publicou reportagem mostrando que os R$ 44,4 milhões repassados, em 2013, pelo governo do Estado à Minas Arena dariam para custear a saúde pública de uma cidade do porte de Itabira, com cerca de 118 mil habitantes, na região Central do Estado.


O repasse equivale a R$ 700 gastos com cada um dos 64 mil assentos do Mineirão. Em saúde, por exemplo, neste ano, o governo previu orçamento de R$ 376 por cidadão.


Nessa quarta à noite, após a coleta das duas assinaturas, um deputado confirmou, sob anonimato, que a CPI ganhou apoio do presidente do Atlético, Alexandre Kalil. Segundo o parlamentar, o próprio Kalil teria pedido que os deputados apoiassem a proposta da oposição.


Para o deputado Mário Henrique Caixa, a CPI é necessária para que o governo dê respostas à sociedade sobre o acordo. “Esse caso tem que ser acompanhado de forma mais profunda, com maior documentação”, justificou.


Questionado sobre o motivo de a assinatura vir mais de um ano depois de a proposta ter sido apresentada, Caixa disse que, durante esse tempo, aprofundou-se na leitura de documentos que envolvem a construção e operação do estádio e ouviu “setores da sociedade civil”.


O deputado Marques Abreu, ex-jogador do Atlético, confirmou a assinatura do documento por meio de seu perfil no Twitter. “Assinei #CPIdoMineirao”, disse ele a seus 41 mil seguidores.


Um dos defensores da CPI, o deputado Rogério Correia (PT), não quis revelar o número de assinaturas obtidas, com receio de que a base do governo se movimente para esvaziar a tentativa de investigação. A expectativa do petista é convencer mais um parlamentar e, assim, obter o número mínimo de assinaturas, ainda nesta semana.


Ainda de acordo com Correia, o objetivo principal da CPI é investigar o repasse dos R$ 44,4 milhões à empresa, em 2013. Pelo contrato, o governo é obrigado a cobrir as perdas da Minas Arena quando o consórcio registrar prejuízo.


A assessoria de imprensa do governo do Estado disse que, pelo acordo, a empresa tem que cumprir metas financeiras e que a partir do terceiro ano de contrato, caso a empresa continue no vermelho, o governo não precisará mais cobrir os 100% do prejuízo. Com isso, o repasse público poderá ser reduzido em até 60%.


A CPI tem outros dois objetivos: apurar as licitações e obras no Mineirão e no Independência e revelar o contrato firmado entre a Minas Arena e o Cruzeiro, além do acordo feito entre Atlético e América, no ano passado.



CPI na Assembleia


Pedido. Foi feito em 1º de fevereiro de 2013


Apoio. São necessárias 26 assinaturas de deputados. Já são 25.


Oposição. Formada por três partidos, PT, PRB e PMDB. Os dois primeiros aderiram totalmente ao pedido. No PMDB, Leonídio Bouças e o novato Tony Carlos não assinaram.


Base. Três deputados assinaram. Marques Abreu (PTB), Fred Costa (PEN) e Sargento Rodrigues (PDT).


Arquivo


Apuração. Exceto pela CPI da Telefonia, entre junho de 2013 e fevereiro deste ano, a última comissão na Assembleia foi em 2005, quando as operações da mineradora MBR foram investigadas.


Leia também:


Wilson Can0: Economia brasileira sente os efeitos do desmonte neoliberal


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Fonte: Falta apenas um voto para instalar a CPI do Mineirão»


por Luiz Carlos Azenha


O Tijolaço nos informa que o diário direitista gaúcho Zero Hora teve o seguinte a dizer sobre a entrevista do ex-presidente Lula a blogueiros: “o ex-presidente sentou-se à mesa com pessoas que não têm como oferecer a neutralidade reclamada. Seus ouvintes eram responsáveis por blogs assumidamente governistas, muitos dos quais sustentados por verbas oficiais.”


O Zero Hora, como se sabe, pertence à família Sirotski, do Grupo RBS, parceiro comercial das Organizações Globo (olhem na lista acima) no Sul do país.


Se tivesse feito o trabalho jornalístico que se requer de uma poderosa empresa jornalística, teria descoberto o óbvio: a grande maioria dos blogueiros que entrevistaram o ex-presidente Lula não recebe um tostão sequer de “verbas oficiais”. Basta consultar as informações divulgadas pela Secom, a Secretaria de Comunicações ligada à Presidência da República.


Da entrevista participaram Renato Rovai (Revista Fórum e Blog do Rovai), Altamiro Borges (Blog do Miro), Conceição Lemes (Viomundo), Fernando Brito (Tijolaço), Marco Weissheimer (Sul 21 e Carta Maior), Eduardo Guimarães (Blog da Cidadania), Rodrigo Vianna (Escrevinhador), Kiko Nogueira (Diário do Centro do Mundo) e Miguel do Rosário (O Cafezinho).


Posso estar errado, mas dos veículos acima citados só a Carta Maior constava da listagem mais recente a que tive acesso, numa proporção absolutamente compatível com a importância que o site tem para a esquerda brasileira e para o público de esquerda existente no país.


Portanto, além de mentir neste ponto — “muitos dos quais sustentados por verbas oficiais” –, o Zero Hora sonegou de seus leitores outra informação fundamental, se realmente pretendia debater financiamento oficial da mídia e independência editorial.


Sonegou o fato de que o Grupo RBS certamente está na lista dos maiores receptores de verbas oficiais dentre, digamos, os 50 maiores grupos de mídia do Brasil, pois recolhe dinheiro do governo federal, de governos estaduais e de prefeituras. Se pretendia debater honestamente o assunto, o Zero Hora deveria contar aos leitores quanto exatamente a RBS recolhe a seus cofres em “verbas oficiais”.


O que levaria os leitores a concluir: se o Zero Hora, com todo o dinheiro oficial recebido pelo Grupo RBS, pode se declarar “independente”, por que blogueiros que não recebem um tostão em dinheiro oficial não podem ser independentes? Teriam sido abduzidos pelo lulismo? Hipnotizados pelo petismo? Por que sonegar dos leitores que são blogues de esquerda que se contrapõem ao jornalismo de direita do Zero Hora?


O Viomundo, como vocês sabem, tem como política não receber “verbas oficiais”, sejam de governos em todas as esferas, sejam de empresas públicas.


Por que o Zero Hora não adota a mesma política, que contribuiria para cortar os gastos públicos? Quantas creches e hospitais poderiam ter sido construídos com o dinheiro que o Grupo RBS embolsou até hoje em “verbas oficiais”.


Taí um exercício que os editores do diário direitista fica devendo a seus leitores, assim como aos ouvintes e telespectadores do Grupo RBS.


É óbvio que sabemos exatamente o motivo da chiadeira da família Sirotski.


Ela se revolta contra a perda do monopólio da informação, que até recentemente permitia ao grupo selecionar as notícias “existentes” ou não, ou ângulos e frases pinçadas de uma longa entrevista para empacotar a sua versão dos fatos.


Sorry, mas a internet acabou com isso.


Desde muito antes de Assis Chateaubriand, empresas jornalísticas brasileiras cresceram explorando a capacidade de extorquir dinheiro sob a ameaça de investigar autoridades ou empresários; para os que cederam, o benefício do espaço para falar à opinião pública.


Quando um líder como o ex-presidente Lula decide falar diretamente à opinião pública, sem tal intermediação corporativa, paira no ar forte ameaça ao monopólio da palavra que sustenta o jornalismo chantagista.



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Fiesp e banco Itaú são “esculachados” por “apoio à ditadura civil militar”


Por Tatiana Merlino e Caio Castor


Avenida Paulista, 1313. Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). No portão de entrada da sede da instituição, uma faixa: “A Fiesp financiou a ditadura civil militar”. Senhores e senhoras de idade encostam “pirulitos” com rostos de mortos e desaparecidos políticos da ditadura civil militar (1964-1985) na grade, jovens na faixa de vinte anos tocam instrumentos de percurssão e gritam palavras de ordem, como “A verdade é dura, a Fiesp apoiou a ditadura” e “Não esquecemos a ditadura, assassinatos e tortura!”.


Usando uma máscara de gorila, uma atriz segurava cartolinas com os nomes “Dr Geraldo” e “Olavo Setúbal”, em referência a Geraldo Resende de Mattos, ex-funcionário da Fiesp, e ao banqueiro Olavo Setúbal, que foi prefeito biônico de São Paulo, entre 1975 e 1979.


Apoio financeiro


Organizado pela Frente de Esculacho Popular, o “esculacho” denunciou a participação da Fiesp no financiamento ao golpe militar de 1964 e ao aparato de repressão a opositores do regime. O Banco Itaú, por sua vez, foi acusado de, além de ter apoiado a ditadura, distribuir uma agenda em que o dia 31 de março é chamado de “dia da Revolução de 1964”, como os defensores do regime se referem ao golpe militar. O ato reuniu cerca de 50 manifestantes, entre os quais jovens, ex-presos políticos, parentes de vítimas da ditadura e militantes de direitos humanos.


Rafael Pacheco Marinho, militante da FEP, disse que o objetivo do “esculacho” é evidenciar que a ditadura brasileira não foi só militar, mas sim “civil-militar, já que contou também com o apoio da sociedade civil e de empresários que foram colaboradores diretos das políticas de repressão e terror de Estado. Há empresas que financiaram centros de repressão, como a Oban, em São Paulo”. As reuniões de coleta financeira, lembrou, eram organizadas pela Fiesp e coordenadas pelo então ministro da fazenda Delfim Netto.



“Símbolo da ditadura”


Ao microfone, o deputado Adriano Diogo (PT), ex-preso político e presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”, citou empresas colaboradoras da ditadura, sendo seguido pelos manifestantes, que repetiam, em coro: “Supergel, Cobrasma, Mercedez Benz, Volkswagen. Elas financiaram o golpe, acompanharam sessões de tortura com o Boilesen e o Dr. Geraldo. A Fiesp é o símbolo da ditadura”.


No ano passado, um documento do Arquivo Público do Estado de São Paulo revelado pela Comissão Estadual da Verdade “Rubens Paiva” demonstrou a presença constante do empresário Geraldo Resende de Mattos, da Fiesp, na sede do Dops paulista.


Também presente ao ato, a ex-presa política Amelinha Teles, integrante da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos, destacou a importância de lembrar, 50 anos depois do golpe militar, “o papel preponderante dos empresários, não só no golpe, mas no financiamento, apoio político e logístico na consolidação da ditadura. Eles financiaram centros clandestinos de tortura não só em São Paulo. Ela defendeu que a Fiesp peça perdão ao povo brasileiro, “pelo apoio ao golpe e à tortura”.


Os manifestantes também entraram na agência do Itaú localizada na avenida Paulista, onde entregaram panfletos e tentaram conversar com as pessoas que estavam na fila, mas foram colocados para fora pela segurança da instituição.


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O esculacho popular teve início na noite da terça-feira, 8, quando militantes da FEP saíram às ruas em torno da avenida Paulista e colaram – em postes, orelhões, pontos de ônibus e até em um posto da Polícia Militar – cartazes em que a participação da Fiesp e do Itaú no apoio à ditadura é denunciada.


A FEP lembrou, ainda, a participação de outras empresas no financiamento à repressão política, como Ultragaz, Volkswagen, Odebrecht, Ford e General Motors, assim como meios de comunicação, como as Organizações Globo e o Grupo Folha.


A Frente de Esculacho Popular, formada no início de 2012, é uma organização composta por familiares de vítimas da ditadura e ativistas de direitos humanos em geral. Tem como principal linha de ação a realização de esculachos, protestos que têm como objetivo denunciar os colaboradores da ditadura militar, seja pessoas ou empresas, como forma de pressionar por sua punição na Justiça. De acordo com a organização, “a FEP acredita que somente acabando com a impunidade do passado é que se pode acabar com os crimes do presente: ainda hoje, tortura-se e mata-se nas periferias das cidades do país”.



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“MIDIA E OPOSIÇÃO BURGUESA REQUENTAM O CASO PASADENA PARA ACABAR COM A PETROBRAS E AJUDAR NA ENTREGA DO PRE-SAL PARA AS EMPRESAS TRANSNACIONAIS”


por Valéria Nader, no Correio da Cidadania, em 08.04.2014


Não é a primeira vez na sua história que a Petrobras é alvo de uma possível CPI. Foi assim quando houve a mudança da Lei de Concessão, criada por FHC, e que acabou com o monopólio estatal do petróleo, para o modelo de Partilha, sob Lula. E agora, em ano eleitoral, mais uma vez a empresa está sujeita à abertura de um processo de investigação.


Para o engenheiro Fernando Siqueira, ex-presidente e atual vice-presidente da AEPET (a Associação de Engenheiros da Petrobras), não se trata de uma CPI séria. Afinal, “o investigador mais sério e confiável é o Ministério Público, e este já está investigando. CPIs infelizmente foram transformadas em chantagens, holofotes, politicagens e palanques eleitorais”.


O que está de fato em jogo, para o engenheiro, é um acontecimento agora apenas requentado pela mídia, atrelada que está ao jogo do cartel internacional, com o intuito de acabar com a Petrobras, para entregar Pré-Sal, e de “sangrar” a presidente Dilma, presidente do Conselho de Administração à época da compra da refinaria. E bem mais grave do que a polêmica em torno a Pasadena, segundo Siqueira, é o estrangulamento político e financeiro a que tem sido submetida a Petrobras, consequência, dentre outros, da entrega do maior campo do Pré-Sal e do mundo para a Shell/Total (40%) e uma aliada chinesa (20%). “Mas isto a grande mídia defende (…) E não para aí. Há uma campanha para o governo leiloar parte de Franco, que é uma estrutura contígua de Libra”, enfatiza o ex-presidente da AEPET.


“O objetivo do cartel do petróleo é derrubar a Petrobras para ganhar o Pré-Sal. E o da oposição é este, derrubar a Dilma”, diz Siqueira. Mas a atual presidente não sai nem um pouco ilesa das avaliações de Siqueira, muito pelo contrário. “O governo Dilma começou bem, baixando os juros, varrendo a corrupção, mas acabou cedendo às pressões e se submeteu aos banqueiros, elevando os juros, e fundamentalmente ao cartel internacional do petróleo, fazendo três leilões em um único ano: o 11º, que englobou a Margem equatorial (muito promissora), entregou Libra e fez o absurdo leilão do shale gas. Dilma entregou 60% de Libra para o cartel e vai entregar muito mais se o povo brasileiro não se defender”.


A seguir a entrevista completa.


Correio da Cidadania: Acha que os atuais escândalos em torno à Petrobras, associados a alguns outros dados negativos na economia, chegarão a impactar a candidatura Dilma?


Fernando Siqueira: O objetivo da oposição é este, derrubar a Dilma. O do cartel do petróleo é derrubar a Petrobras para ganhar o Pré-Sal. E a Dilma se submete aos dois em detrimento do país. Ela é mais fraca politicamente do que o Lula, e se deixa dominar por interesses antinacionais e eleitoreiros. Por isto acho que a alternância de poder é necessária. O PMDB, que está sempre no poder, se transformou num bando de fisiológicos. O PT está chegando lá.


Correio da Cidadania: Como você vê o fato de o novo escândalo em torno à Petrobras, relacionado à questionada compra da refinaria Pasadena, enquanto a presidente Dilma era parte do Conselho Gestor da empresa, explodir somente agora, em um ano eleitoral, e praticamente 8 anos após os acontecimentos?


Fernando Siqueira: Na verdade, trata-se de um fato requentado pela mídia que faz o jogo do cartel internacional, a fim de acabar com a Petrobras para ficar com o Pré-Sal. Em 2012, como primeiro Conselheiro de Administração da Petrobras eleito pelos empregados, o atual presidente da AEPET, Silvio Sinedino, fez essa denúncia. Como defensores da companhia, somos favoráveis à investigação de qualquer que seja o indício de irregularidade cometida, por quem quer que seja. O mais importante é preservar a Petrobras dos ataques que visam inviabilizá-la.


Infelizmente, o presidente do Conselho na época, Guido Mantega, não levou adiante, como deveria, uma investigação séria. O ex-presidente Gabrielli foi ao Senado e mostrou que o negócio era bom e fazia parte do plano estratégico da companhia. Os conselheiros Jorge Gerdau e Fabio Barbosa também afirmaram que o aprovaram por ser bom negócio. O problema, ao nosso ver, era o preço total pago.


Agora, em ano eleitoral, a mídia citada resolveu requentar o assunto, pois quer sangrar a Petrobras, e a presidente Dilma, presidente do Conselho de Administração na época da compra. Esta, por sua vez, de forma muito irresponsável, emitiu uma nota infeliz e covarde, saindo de fininho para deixar toda a culpa com a Petrobras. E, oito anos depois, demitiu o diretor Cerveró para criar o bode expiatório. Claro que isto não resolve, e até distorce o problema.


Correio da Cidadania: Quanto aos acontecimentos em si, relativos à compra que vem sendo questionada, teria mais detalhes? Vislumbra alguma correlação entre ele e outros semelhantes na empresa?


Fernando Siqueira: Como eu disse acima, como negócio a compra foi boa. O que se questionou foi o preço pago. Há a nossa preocupação quanto à atual venda de ativos, o tal “desinvestimento”, pois os lobistas que intermediam esses negócios não primam pela integridade. Foi vendido o BMS-65 na Bacia de Campos para a Shell e 40% de um Campo no Rio Grande do Norte para a BP, na iminência de sua descoberta.


Não podemos concordar com isto. Não fosse a obrigação da Petrobras de importar derivados e vender para as concorrentes por preço mais baixo, isto não seria necessário. E a mídia comprometida deita e rola: o Estadão manipulou uma declaração do presidente da Astra, o dono da refinaria, que disse que a compra foi o negócio do século, pois os furacões reduziram a produção das outras refinarias e a demanda por derivados aumentou. O Estadão pegou o final da frase para dizer que a venda para a Petrobras é que foi o negócio do século.


Correio da Cidadania: O que pensa da instalação de uma CPI para averiguar a polêmica aquisição da refinaria pela Petrobras e a que resultados imagina que se possa chegar?


Fernando Siqueira: Eu acho que toda denúncia deve ser investigada. Mas o investigador mais sério e confiável é o Ministério Público, e este já está investigando. CPIs infelizmente foram transformadas em chantagens, holofotes, politicagens e palanques eleitorais. Quando estava em elaboração a lei de partilha que iria mudar o entreguismo da lei de concessão, inventaram a CPI para atrapalhar a recuperação da soberania. No ano eleitoral, inventaram outra. Não é sério.


Correio da Cidadania: O escândalo de Pasadena chega, por sua vez, concomitante a outros acontecimentos que têm colocado a Petrobras no centro dos noticiários, como, por exemplo, uma administração temerária para a saúde da empresa, com o rebaixamento de tarifas como forma de controlar a inflação. O que tem a dizer, nesse sentido, sobre esta política e a condução administrativa da empresa no geral nos últimos anos?


Fernando Siqueira: Como dito acima, isto visa enfraquecer a Petrobras para deixar o Pré-Sal para o cartel do petróleo e os EUA, que, quando o Pré-Sal foi descoberto, reativou a 4ª Frota Naval e a colocou no Atlântico Sul, violando a soberania da Argentina e do Brasil. O objetivo era pressionar o governo pelo Pré-Sal, e funcionou, pois a Dilma entregou 60% de Libra para o cartel e vai entregar muito mais se o povo brasileiro não se defender. A administração da empresa tem sido muito prejudicada pelo aparelhamento político feito pela base do governo. Gerentes nomeados politicamente acabam fazendo o jogo dos partidos em detrimento de uma administração técnica em favor da companhia e do interesse da nação brasileira. Isto é péssimo. A produção vem caindo, os acionistas vêm perdendo e o país perde mais ainda.


Correio da Cidadania: Têm sido divulgados ainda diversos dados sobre a queda na receita e rendimentos da empresa nos últimos meses, impactando de forma negativa o seu valor na Bolsa, que está em evidente queda. O que tem a dizer sobre esses dados e também sobre a divulgação que lhes é dada pela mídia corporativa?


Fernando Siqueira: Muito mais grave do que este negócio de Pasadena, é o fato de se estrangular a Petrobras financeiramente e entregar o maior campo do Pré-Sal e do mundo para a Shell/Total (40%) e uma aliada chinesa (20%). Mas isto a grande mídia defende. A Globo, no Jornal Nacional de terça-feira, 6/11/2013, atropelou a matemática para mostrar uma conta manipulada, na qual o país vai ficar com 85% do campo de Libra. Fiz as contas e, no máximo, o país vai ficar 40,4% de Libra. O edital criminoso levará este valor a decrescer ao longo do tempo. Dá para acreditar que os gringos pagaram 60% e vão levar só 15%? Claro que não. Isto é crime. É manipulação de opinião.


Mas não para aí. Há uma campanha para o governo leiloar parte de Franco, que é uma estrutura contígua de Libra. Ambos foram entregues à Petrobras por conta da sua capitalização via cessão onerosa: a Petrobras comprou sete blocos da União, que deveriam conter 5 bilhões de barris, e pagou por eles R$ 85 bilhões. Perfurou Franco e achou 10 bilhões de barris. Perfurou Libra e achou 15 bilhões. Pela lei, o governo deveria negociar com ela o excedente dos 5 bilhões através de contratos de partilha. Ao invés disto, o governo tomou Libra da Petrobras e fez um leilão fajuto entregando 60% para estrangeiros. Agora quer leiloar o excedente de Franco.


Outro absurdo: em janeiro de 2012, a ANP doou para a Shell uma área da União, de 250km², contígua ao Bloco BMS-54, adquirido pela Shell sob a lei antiga. Dupla ilegalidade: 1) a lei só permite entrega de áreas sem leilão à Petrobras; 2) pela lei a Petrobras é a operadora única do Pré-Sal. Quando estourou o escândalo, a ANP desfez a doação e mandou a Pré-Sal Petróleo SA (PPSA) negociar com a Shell. Os diretores da PPSA são “amigos” da Shell.


Correio da Cidadania: Ou seja, os fatos recentes têm plena associação com o recente leilão do Pré-Sal, que já carreou tantas críticas quanto à entrega de nosso ‘bilhete premiado’.


Fernando Siqueira: Exato. O leilão do campo de Libra, o maior do Pré-Sal e do mundo, foi um crime de lesa pátria, que a grande mídia defendeu de forma torpe, inclusive manipulando contas, como já dito. O campo, pela lei, tinha que ser negociado com a Petrobras, pois é uma área estratégica e a lei nova estabelece isto. Libra tem uma reserva de 15 bilhões de barris ou mais. Ao valor de US$ 100 por barril, chega-se a US$ 1,5 trilhão, dos quais 60% foram entregues ao capital externo. Então, esta campanha visa mesmo é enfraquecer a Petrobras para que seja entregue o resto do Pré-Sal.


Correio da Cidadania: Faria uma comparação entre os governos FHC, Lula e, agora, Dilma, no que se refere à administração da empresa e aos resultados, benéficos e/ou maléficos, a que se chegaram em cada um desses governos?


Fernando Siqueira: O governo FHC foi, a meu ver, o pior da nossa história. As mudanças que ele patrocinou na Constituição, no capítulo da ordem econômica e financeira, foram desastrosas. Quebrou monopólios; escancarou o subsolo e navegação dos nossos rios para empresas estrangeiras; eliminou a diferença entre empresa nacional e empresa estrangeira; emitiu um decreto que isenta do imposto equipamento estrangeiro, matando 5000 empresas fornecedoras de equipamentos do setor petróleo; desnacionalizou estatais estratégicas; e propiciou a venda de 3000 empresas nacionais, privadas, para estrangeiros; abriu o monopólio do petróleo e fez uma lei em que todo o petróleo é de quem o produz. Iniciou o processo de desnacionalização da Petrobras. Sua política na área internacional teve a postura de submissão total aos EUA.


O governo Lula tentou recuperar alguns valores. Embora tenha feito a reforma previdenciária e continuado os leilões de petróleo, mudou a lei de concessão para partilha de produção, que recupera a propriedade da União, colocando a Petrobras como operadora única do Pré-Sal. Fez uma política internacional muito boa, abrindo mercados e se integrando com a América Latina e com a África e prestigiando o Mercosul, a Unasul e o G20.


O governo Dilma começou bem, baixando os juros, varrendo a corrupção, mas acabou cedendo às pressões e se submeteu aos banqueiros, elevando os juros, e fundamentalmente ao cartel internacional do petróleo, fazendo três leilões em um único ano: o 11º, que englobou a Margem equatorial (muito promissora), entregou Libra e fez o absurdo leilão do shale gas.


Correio da Cidadania: Acha que os atuais escândalos em torno à Petrobras, associados a alguns outros dados negativos na economia, chegarão a impactar a candidatura Dilma?


Fernando Siqueira: O objetivo da oposição é este, derrubar a Dilma. O do cartel do petróleo é derrubar a Petrobras para ganhar o Pré-Sal. E a Dilma se submete aos dois em detrimento do país. Ela é mais fraca politicamente do que o Lula, e se deixa dominar por interesses antinacionais e eleitoreiros. Por isto acho que a alternância de poder é necessária. O PMDB, que está sempre no poder, se transformou num bando de fisiológicos. O PT está chegando lá.


Valéria Nader, jornalista e economista, é editora do Correio da Cidadania.


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Fonte: Fernando Siqueira: Batalha da mídia é para entregar o pré-sal»


Para economista, país está sem rumo e falta um projeto nacional


Por Vanessa Jurgenfeld | De Campinas


do Valor Econômico, sugerido pela Sec Geral do MST


Estudioso das questões do desenvolvimento econômico há décadas, Wilson Cano, professor do Instituto de Economia da Unicamp, diz que o Brasil está sem rumo e falta um projeto nacional de desenvolvimento.


Para o economista, um dos grandes problemas é a perda do controle sobre os instrumentos de política macroeconômica depois das reformas neoliberais dos anos 1980-1990 e as “amarras” com a Organização Mundial do Comércio (OMC). Diz que sem o controle desses instrumentos, cedendo às pressões do organismo internacional e do capital financeiro, é impossível fazer uma política industrial efetiva, reanimar a indústria e o próprio crescimento do país. A seguir, trechos da entrevista:


Valor: Como o sr. analisa o baixo crescimento da economia brasileira nos últimos anos?


Wilson Cano: Nós tivemos um curso da nossa história que foi truncado em 1970 com a crise da dívida. De lá para cá, as diferenças são que, nos anos 80, o PIB cresceu a 1% ou menos, nos 90 cresceu a 2%, depois a 2,5%, depois, entre 2003 e 2009, graças ao boom de commodities da China, crescemos a 4,5%, 5%.


Agora, se você tirar a média histórica de 80 para cá, é simplesmente deprimente. E parte da crise social não está pior porque a taxa de crescimento demográfico baixou muito. A demografia nos livrou de problemas bastante sérios que teríamos que enfrentar agora. Então, nossa crise é estrutural e de 30 anos, vem dos anos 80, trazendo efeitos cumulativos.


Valor: Quais efeitos cumulativos?


Cano: Os erros da ditadura militar, que geraram a crise do endividamento, e depois os erros crassos da adoção de uma política neoliberal, que foram e são calamitosos.


Valor: A quais erros da política neoliberal o sr. se refere?


Cano: Os erros advindos do neoliberalismo são as reformas do Consenso de Washington — desregulamentação financeira, abertura comercial, as reformas da relação capital-trabalho, reforma da previdência social, privatização e encolhimento do aparelho do Estado. Essas coisas, que motivaram palmas e elogios na mídia durante muito tempo a muitos empresários, cobram um preço muito pesado para o futuro.


Nos livramos das estatais e nos livramos também da possibilidade de atuar diretamente no comando da política econômica de vários setores-chave. Se hoje estamos com problemas de logística, de comunicações, de energia, em parte se deve a isso. Simplesmente se entregou a coisa ao setor privado, achando que ele iria resolver os problemas. O setor privado se move com uma perspectiva de uma taxa de lucro. Quando essa taxa estremece, ele recua. Além disso, infraestrutura exige pesado financiamento de longo prazo, portanto, imobilização de recursos por muito tempo.


É muito complexo deixar exclusivamente na mão do setor privado. E foi muito pior, porque foi uma privatização de fato e de direito. Aquilo que estava afeto a ministérios, controlar telecomunicações, eletricidade, navios, virou todo um arremedo de controle público que são as agências, como Anatel e Aneel. Aquilo é um conjunto de pessoas que vieram do setor privado e que não são o Estado. É um ente híbrido e que, portanto, não pode fazer uma administração pública desses setores. Então, o Estado foi desmantelado.


Valor: E isso gerou impacto nas políticas de desenvolvimento?


Cano: O Ministério do Planejamento hoje se converte em um ministério de contabilidade pública. Não é um ministério que usa orçamento público como instrumento de política de desenvolvimento. Você não tem uma estratégia de planejamento. Então, crescemos pouco, porque nos amarramos não só a essas reformas [neoliberais], mas também nos amarramos com a OMC.


Valor: Em que sentido “nos amarramos” com a OMC?


Cano: A abertura comercial, além de reduzir as tarifas violentamente e eliminar um monte de entraves às importações, escancarou o parque produtivo nacional à competição internacional. Essas falas – ‘vamos elevar a produtividade’, ‘vamos introjetar ciência e tecnologia’ -, eu ouço desde pequenininho, como se tecnologia fosse uma maria-mole que você compra na venda da esquina e dá para criança. Isso passa por decisões de empresários e por questões que não são fáceis de ser administradas.


Valor: Alguns economistas defendem que é preciso melhorar a produtividade do capital e do trabalho para o país avançar mais…


Cano: O empresário introjeta tecnologia e ciência quando tem expectativa de retorno. Se você está destruindo a sua indústria, encolhendo cadeias produtivas, importando as coisas mais complexas e mais caras e deixando a coisa mais fácil e simples para se fazer aqui, que ciência e tecnologia vai embutir aqui? O pior é que, como você não tem rumo, não há um projeto nacional, não sabe o que fazer também com o sistema educacional.


Aí inventa educação sem fronteiras e está uma festa. Estão mandando aluno para tudo que é lado no mundo, como se o cara fosse aprender algo muito inteligente no interior de Portugal, que é um submisso na União Europeia. Estamos fazendo essas barbaridades.


Valor: Há economistas e empresários que dizem que houve nos últimos anos aumento do Estado na economia e isso seria um dos principais problemas…


Cano: É o contrário. O Estado se retirou da economia. Era responsável por cerca de 50% da Formação Bruta de Capital Fixo do país. Hoje, não responde nem por 20%. O investimento público federal foi ao chão, e o dos Estados e municípios está rastejando. A presidente Dilma Rousseff ainda elevou o investimento público federal, mas muito pouco. E ela não consegue mudar isso.


Antes você tinha um orçamento público federal e havia uma fatia que você podia dedicar ao investimento público, ao financiamento público das estatais, ou o que quer que fosse. Agora entraram aí juros, que consomem 40% da receita federal líquida, consomem cerca de 5% do PIB. Isso era a participação do Estado na taxa de inversão. Então, a nossa taxa de investimento não pode subir. E não há economia que cresça de forma sustentada e elevada, se a sua taxa de investimento não sobe.


Valor: Qual a profundidade do problema da competitividade da indústria brasileira?


Cano: O que fizeram Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul? Eles transferiram à China boa parte da sua capacidade de produção industrial pelos salários mais baixos e condições da economia muito melhores. Lá eles poderiam realmente ter uma competitividade avaliada em moeda e inundaram o mundo com manufaturas da China, desde as simples até as de maior complexidade.


É um mito pensar que poderíamos enfrentar China, Japão, Coreia. Simplesmente porque, ao escancarar essas condições externas [abertura, entrada na OMC], você acabou com um instrumento poderoso que o Estado tinha, que era o de fazer controle do comércio exterior, de tentar proteger determinados segmentos da produção nacional. Você não pode mais fazer isso.


Valor: Por causa da OMC?


Cano: A OMC não deixa. Ela só te permite fazer alguma restrição diante de uma crise grave de balanço de pagamentos e durante certo tempo. Já estão exigindo do Brasil que acabe com a tarifa de 30% dos automóveis. E tem um outro lado ainda mais cruel, que é a exacerbação do sistema financeiro internacional.


Com a longa crise que vem dos anos 70, arrefeceram-se os níveis de produção, o crescimento desacelerou no mundo, e o capital, que antes tinha ovos produtivos e os colocava num ninho para gerar mais produção, diminuiu esses ovos na produção e passou a colocá-los no ninho financeiro. O capital foi deixando de ser basicamente produtivo para se converter cada vez mais em capital financeiro. E o que sucedeu com os empresários que receberam uma cacetada diante da abertura? Reduziram níveis de produção e colocaram mais ovos na cesta financeira.


De lá para cá, uma fatia crescente da massa de lucro das empresas não é fruto de produção, mas de aplicações no sistema financeiro. Hoje, há empresários ganhando mais dinheiro no sistema financeiro do que produzindo sapatos, salsichas ou lingotes de ferro. Quando se eleva a Selic, chiam porque pagarão financiamento mais caro, mas riem de felicidade, porque a aplicação financeira dará lucro maior do que se fizessem sapatos.


Valor: É uma contradição?


Cano: É uma contradição que se refletirá no sistema de tomada de decisões nacional. O poder não vai ter mais uma frente empresarial, como nos anos 1970, que dava sustentação ao avanço da industrialização.


Valor: Outros países, como Estados Unidos, parecem mais preocupados com uma reindustrialização, após perder indústrias para Ásia….


Cano: Eles perderam em termos. A desindustrialização no Hemisfério Norte tem caráter distinto da desindustrialização aqui. As duas diminuíram a proporção da indústria de transformação no PIB, só que a do Brasil diminuiu de maneira precoce, porque não fez crescer o que deveria crescer. Aquela diminuiu porque os serviços cresceram muito, talvez tenham perdido um pouco de indústria. Mas as empresas americanas estão na China e mandando lucro aos EUA.


Essa perda é bem relativa, diferente da nossa. Nós perdemos mesmo, porque não temos estratégia nenhuma. E isso não é uma debilidade do governo Dilma, Lula ou FHC. Mas é que, com adoção dessas políticas macro, você não tem direito de formular nenhum programa nacional de desenvolvimento.


Valor: Quais as principais consequências em não se ter um projeto nacional de desenvolvimento?


Cano: Sem isso, não há rumo, porque as decisões passam a ser tomadas porque o mercado financeiro gritou, porque a bolsa caiu, o dólar subiu, enfim, você volta a viver as pressões diárias do tal do mercado financeiro, que é quem no fundo faz as pressões na política econômica que nos restou, que é elevar os juros e aumentar o superávit primário para poder pagar juros a ele.


Valor: Alguns economistas dizem que há recuperação da indústria brasileira nos dados do início deste ano. Como o sr. analisa isso?


Cano: A indústria não se recuperou coisa nenhuma. Isso é produto de determinadas flutuações estatísticas. Houve erro de política industrial, mas o crucial é o modelo de crescimento e de política econômica que encarnamos em 1990 e não mudamos. E é por isso que a oposição é fajuta. Para ser oposição, teria que poder criticar. Mas não pode, porque foi ela que inaugurou esse modelo de política de juros altos, câmbio valorizado e superávit primário.


Valor: O sr. acredita que o modelo macro vai seguir sendo o atual?


Cano: Acho que sim, só que certas coisas têm limites. Em economia, nada é eterno, nada é contínuo. Por exemplo, cuidado com as contas do setor externo, porque [alguns dizem que] a vulnerabilidade do país baixou consideravelmente, porque exportamos commodities e acumulamos US$ 370 bilhões de reservas. Mas eu digo: alto lá, cavalheiro.


Essas reservas são fruto de quê? Um país acumula reservas por três razões: porque tem superávits comerciais, por receber notáveis fluxos de investimentos externos produtivos e por ter recebido capitais de empréstimo, ou mesmo especulativos, em quantidade apreciável, que o ajudaram a fazer caixa. E esse [último] é o nosso caso. Nosso saldo comercial já foi para o brejo. Estamos com déficit. E o déficit da conta de serviços e de rendas supera nos últimos 15 anos largamente os superávits comerciais.


O país vem tapando buraco à custa de investimentos diretos, que não cresceram como eram no passado, mas principalmente com investimentos financeiros, como derivativos, dívida pública. Nossas reservas não têm um lado real da economia. Estão calçadas em capital temporário, de alto risco. Se vier realmente uma ventania forte, que é algo que está na agenda de vários autores, essas reservas não sustentarão o equilíbrio do país, corremos o risco de enfrentar crise severa.


Valor: Qual deveria ser o modelo para reanimar a indústria?


Cano: Aí é que está o problema. O governo vestiu uma camisa de força. Você tem seus músculos, seu cérebro, mas numa camisa de força você não consegue se mover. Se você não pode mover os instrumentos do juro, do câmbio, do crédito e das contas públicas, está amarrado. Esses instrumentos são fortemente interdependentes nesse jogo político internacional que entramos.


Você está com um avião e não consegue fazer voo alto. Não adianta, como fazem alguns economistas, dizer que precisamos de política industrial mais inteligente. É impossível. Você pode desenhar a política industrial que quiser, mas política industrial precisa de juros, de câmbio, de financiamento, de um grau de protecionismo à indústria nascente para introjeção de alta tecnologia. E você cedeu todos esses instrumentos ao admitir seu ingresso na OMC e fazer as reformas neoliberais.


A possibilidade de mudança é mínima. Pode fazer política de desenvolvimento agrícola com recursos do Banco do Brasil. Faz uma estradinha, dá uma ‘garibada’ no porto, mas fazer uma fábrica de chip, avançar na petroquímica, na química fina, aí você não vai.


Valor: Por que esses setores especificamente seriam importantes?


Cano: Fábrica de chip foi uma coisa estratégica para quem quisesse enveredar no ramo da microeletrônica. Você não tem o comando, o nervo da criação tecnológica na microeletrônica, se não fabrica chip. Aí tem que comprá-lo da Coreia, da China… Mas posso dar outros exemplos. O déficit de exportações na indústria química é severo, complexo.


Ficaram fazendo bobagens com a Petrobras, de comprar refinaria em vários países, fazendo coisas do arco da velha, e não cuidaram como deveriam da petroquímica e da Petrobras aqui dentro. Agora, ela paga caro, toma grandes empréstimos lá fora e estamos com problema no abastecimento de derivados de petróleo, uma política em parte equivocada. E vamos afundar o setor de etanol, com essa política de preços de combustíveis.


Valor: O governo tentou enfrentar a pouca competitividade industrial com subsídios, por exemplo.


Cano: São paliativos usados muito mais na hora que a onça vai beber água. Na crise do ‘subprime’, que ia bater aqui, eles correram e deram estímulos, mas que têm limites estreitos. A OMC não aceita isso em caráter permanente.


Valor: O resultado do PIB de 2013 mostrou avanço da taxa de investimento. Há uma mudança?


Cano: Mesmo nos anos melhores, o investimento não atingiu nem 20% do PIB. Tivemos 25% nos anos 70. E há também uma diferença qualitativa.


Economistas pecam porque olham a taxa de investimento e não a sua estrutura. Nos anos 70, a parte alocada na indústria de transformação era substancial. Hoje, não. E isso se reflete também na estrutura do investimento direto externo, que vem muito mais para serviços, agrobusiness, mineração e pouco à indústria.


Valor: Há economistas que defendem criação de grandes grupos nacionais como forma de melhorar a competitividade. O que o sr. acha?


Cano: Essa ideia foi fruto de um fato que ocorreu no capitalismo. Quem mostrou realmente capacidade de engendrar gigantes foram os americanos. Os alemães já tinham noção disso com as políticas de cartelização no século XIX, tinham corporações fortes; aí os japoneses copiaram isso, os coreanos também; e a China, que tinha as suas estatais. Mas eles possuem muito mais do que apenas grandes empresas.


Têm moeda conversível internacionalmente, reservas, controle sobre o câmbio, sobre os juros. Nós não temos. Que grande empresa internacional você vai fornecer, se não tem moeda, se não há controle sobre a política macroeconômica? É até apostar demais que aquele grupo privado beneficiado por financiamento público é tão schumpeteriano que vai ter sucesso internacional descomunal para virar grande grupo. Não creio nisso. Várias apostas já foram feitas de maneira errada. Esse Eike [Batista]…Há anos que chamo a atenção de meus alunos de que ele é o “Farquhar” brasileiro.


Valor: Farquhar?


Cano: Teve um financista americano hábil no início do século XX, chamado Percival Farquhar, que montava castelos de cartas. Um dia alguém puxou uma cartinha…É evidente que isso é um fenômeno especulativo. Nós embarcamos nessa canoa. E o BNDES não tem que ficar nisso.


Valor: Qual seria a saída?


Cano: Pode ser que se consiga diante de certas circunstâncias internacionais montar uma saída de médio a longo prazo, cuidadosa, gradual, para que se possa administrar os inevitáveis confrontos externos e internos. Se vou mexer nos juros, desvalorizar o câmbio e até subir um pouco a inflação, posso ter chiadeira nacional e o sistema financeiro sairá de armas na rua.


Tenho que administrar isso, a indústria, o agronegócio. Qualquer peça que se mexa neste tabuleiro afeta interesses cristalizados. Se quiser aumentar proteção à indústria nacional, vai vir a OMC e dizer não. Então, chegará um momento em que você vai ter que dizer não à OMC. É uma briga feia e complicada. Quem sabe haveria com isso possibilidade de realmente se montar uma integração latino-americana. Não que isso resolva a magnitude dos problemas que temos. Mas seria um contraponto interessante.


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