INFRAESTRUTURA



Governo age para garantir empréstimo

Após a renúncia de três diretores da CCEE, autoridades tentam evitar que o financiamento de R$ 11,2 bilhões ao setor elétrico, com assinatura marcada para esta manhã, seja ameaçado



SIMONE KAFRUNI

















O governo agiu em todas as frentes, ontem, para estancar a sangria no setor elétrico, causada pela debandada de três conselheiros da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). E aposta todas as suas fichas no contrato bilionário de empréstimo às distribuidoras para dar o caso por encerrado. Marcada para hoje, a assinatura do financiamento de R$ 11,2 bilhões envolve a entidade, que não tem patrimônio nem garantia para lastrear a operação, e um grupo de 13 bancos.



O medo de sofrer ações judiciais fez com que Luciano Freire, Paulo Born e Ricardo Lima, três dos cinco conselheiros da Câmara, renunciassem aos cargos e a um salário mensal de R$ 50 mil às vésperas da assinatura do contrato. Como a CCEE não tem capital próprio nem pode oferecer garantias para esses empréstimos, a promessa é de que a criação de um encargo e o reajuste nas contas de luz de todos os consumidores brasileiros, em 2015, possam assegurar o pagamento do financiamento.



Temerosos sobre a viabilidade da operação, a maioria dos bancos elencados para financiar o setor preferiu não se manisfestar sobre o assunto. Durante a divulgação do balanço do Bradesco, o presidente da instituição, Luiz Carlos Trabuco Cappi, foi questionado pelo Correio sobre quanto dos R$ 11,2 bilhões seria emprestado pelo banco e qual a classificação de risco para a operação.



“Não nos manifestamos nem damos esse tipo de dado de rating. É uma operação que está sendo construída com os bancos, com os sindicatos de bancos e com as garantias possíveis para que ela seja bem-sucedida”, afirmou Trabuco, visivelmente desconfortável por ter que comentar o assunto.



Nos bastidores do setor financeiro, o empréstimo está sendo comparado a uma operação de recebíveis lastreada no aumento da fatura de energia elétrica dos consumidores no ano que vem. “As instituições estão discutindo qual será a remuneração”, afirmou uma fonte ligada a um grande banco.



Enquanto isso, os três conselheiros que pediram desligamento da CCEE cumprem quarentena e não podem se manifestar sobre a decisão. “Compreendo a preocupação dos executivos. Esse empréstimo é uma operação, no mínimo, inusitada. Eles foram orientados por advogados porque o montante é de tal magnitude que é um risco absurdo ser responsabilizado judicialmente”, opinou Adilson de Oliveira, especialista no setor elétrico da UFRJ.



Para o presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales, a necessidade de financiamento é urgente. “O setor requer aporte bilionário, isso é fato. Porém, a insatisfação é pela forma como o governo está lidando com isso”, avaliou.



Para especialistas, a manobra do governo pretende esconder que as empresas estão quebradas por conta da própria intervenção.



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Informações de mercado dão conta de que o empréstimo inédito de

R$ 11,2 bilhões a ser contratado pelo CCEE terá juros anuais de 1,9% acima da variação do CDI. O pagamento terá de ser feito em até três anos, com um ano de carência a partir da liberação de cada parcela e dois para a quitação. A última prestação está prevista para outubro de 2017. De toda forma, os consumidores começam a pagar a dívida em 2015, com um percentual cobrado na conta de luz. O empréstimo dos bancos seria liderado pela Caixa e pelo Banco do Brasil, com R$ 2,5 bilhões cada.



Fonte: Governo age para garantir empréstimo. Após a renúncia de três diretores da CCEE, autoridades tentam evitar que o financiamento de R$ 11,2 bilhões ao setor elétrico, com assinatura marcada para esta manhã, seja ameaçado »

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