No livro "A rebelião das massas" (1930), Ortega y Gasset afirma logo no primeiro capítulo: "A característica do momento é que a alma vulgar, sabendo que é vulgar, tem a coragem de afirmar o direito da vulgaridade e o impõe em toda parte”. O livro é datado para a Europa do período entre guerras, porém revela as preocupações de um importante intelectual quanto ao processo de inclusão das massas.


Logo depois do início do Plano Real, cerca de 1/3 dos trabalhadores tinha emprego formal e ao final de 2014, 2/3 estavam nessa situação. Esse expressivo processo de formalização representou um importante avanço civilizatório entre nós, maior segurança para muitos e mudança da relação com o Estado: muitos passaram a pagar mais tributos e ter direitos sociais. A “mordida” do imposto retido na fonte nos novos contracheques, segundo o instituto Data Popular (07/2013), explicaria parte das presenças nas manifestações de junho de 2013. A inflação também integrou as muitas explicações para aquele fenômeno complexo.


Expectativas atuais de mercado detectadas pelo Banco Central apontam para inflação acima de 8% neste ano e contração econômica da ordem de 1%. O eventual problema para a nossa democracia é que as pessoas se mostram dispostas a ir às ruas protestar “contra tudo e todos”. Nesse contexto, é razoável supor que as instituições serão capazes de absorver, filtrar e dar respostas satisfatórias às demandas sociais? Sempre é positivo conservar alguma dose de otimismo no Brasil. No entanto, há nuvens no horizonte.


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Fonte: Rebelião das massas?, por Rodrigo Medeiros»

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