Novo Ibope abre debate sobre audiência
Instituto foi comprado por WPP, gigante de publicidade e relações públicas, o que pode gerar conflito de interesses
Grupo afirma que manter independência entre as empresas foi fundamental para permitir crescimento
Grupo afirma que manter independência entre as empresas foi fundamental para permitir crescimento
NELSON DE SÁ DE SÃO PAULO A compra do Ibope Media pelo grupo WPP, o gigante de publicidade e relações públicas sediado em Londres, causa apreensão quando ao risco de conflito de interesses, tanto no Brasil como em outros países em que o instituto atua, na América Latina.
Por 72 anos, o Ibope foi uma empresa independente, chegando a outros 16 países. Mas desde a virada do ano as suas pesquisas de audiência passaram a ser controladas pelo WPP, que abrange agências de propaganda de atuação mundial, como a Ogilvy.
Logo depois da aquisição, o jornal chileno de negócios "Pulso" informou que "a possibilidade de que o WPP influencie a gestão de dados é uma preocupação entre os canais" do país. Para responder à preocupação, executivos do Ibope e da Kantar, como é chamado o braço do WPP que agora controla o instituto, foram recentemente ao Chile.
Disseram o mesmo que o Ibope respondeu em nota, ao ser questionado no Brasil: "Com a aquisição do Ibope, a Kantar Media se tornou a maior empresa de medição de audiência no mundo. Ela jamais chegaria a esse porte ou alcançaria esse posto se houvesse conflito de interesse com outros ativos do WPP".
O instituto argumentou ainda que "a independência entre as empresas do grupo é salutar para a longevidade e o crescimento dos negócios". Antes, quando do anúncio da compra, a Kantar já havia defendido seu histórico de transparência no assunto.
RISCOS PREVISTOS
No Brasil, onde o grupo WPP abrange agências de grande porte como Ogilvy, JWT e Newcomm/Y&R, Eugênio Bucci, professor de ética na ECA-USP, afirma que no caso "existe, necessariamente, um conflito de interesses".
O problema, acrescenta, é "como será tratado e equacionado". "Qual é o compromisso que o grupo apresenta, para os seus clientes, de que não haverá contaminação?" A transparência não bastaria, pois "é um pré-requisito".
Paulo Queiroz, copresidente da DM9DDB, agência ligada a concorrentes do WPP, não vê mudança: "Dos 72 anos do Ibope, 18 já são em parceria com o WPP, e durante o período o instituto prestou um serviço de excelência e credibilidade. A compra do controle não deve alterar em nada a qualidade do serviço e a idoneidade do instituto".
No Chile, a compra levou as redes de TV a ameaçar abrir concorrência para contratar outro instituto, após 20 anos com o Ibope. Mas a recente conversa reaproximou Ibope e emissoras.
No Brasil, as maiores redes já estavam divididas antes, com a Globo mantendo o Ibope, e Record, SBT, Bandeirantes e RedeTV! apoiando o GfK, cujo levantamento de audiência tinha previsão de começar nesta quinta (2).
Fonte: Novo Ibope abre debate sobre audiência. Por NELSON DE SÁ DE SÃO PAULO. No jornal Folha de São Paulo.»
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