M uito perdem os internautas ditos de esquerda ao desqualificarem, com intolerância extrema, personagens como o jornalista e sociólogo Demétrio Magnoli, que está longe de ser "um dos novos trombones da direita" (como o qualificou a revista IstoÉ ), embora defenda posições questionáveis sobre o movimento estudantil e sobre as cotas raciais, p. ex.
Exigir que todos se verguem a um pensamento único é coisa dos tempos de Stalin e de Hitler. Magnoli também dá estocadas contra a direita, e algumas delas são certeiras. Por que, simplesmente, não refletirmos sobre cada uma de suas posições, aceitando algumas e divergindo das outras?
Neste sábado (28), p. ex., seu artigo A hora e a história (vide íntegra aqui ) é um interessante meio-termo entre a pregação direitista do impeachment de Dilma Rousseff e a defesa incondicional de um governo que, salta aos olhos, perdeu o controle da situação e está condenado (condenando-nos) a uma lenta agonia, ou coisa pior.
Ele rechaça o impedimento ("para não transformar o Brasil num imenso Paraguai", retrocedendo "do estatuto de moderna democracia de massas ao de uma democracia oligárquica latino-americana", e também porque "na nossa democracia, a hipótese de impeachment só se aplica quando há culpa e dolo"), mas, assim como eu, percebe os perigos que corremos, sendo golpe de estado o maior deles, caso continuemos submetidos ao "dilmismo , essa mistura exótica de arrogância ideológica, incompetência e inoperância", que "o país não suportará mais quatro anos".
Como alternativa, Magnoli propõe que, ao invés de pregarem o impeachment, os descontentes lancem a Dilma o repto "Governe para todos -- ou renuncie":
" No atual estágio de deterioração de seu governo, a saída realista para Dilma é extrair as consequências do fracasso, desligando-se do lulopetismo e convidando a parcela responsável do Congresso a compor um governo transitório de união nacional. O Brasil precisa enfrentar a crise econômica, definir a moldura de regras para um novo ciclo de investimentos, restaurar a credibilidade da Petrobras, resgatar a administração pública das quadrilhas político-empresariais que a sequestraram. É um programa e tanto, mas também a plataforma de um consenso possível...
" ...Se a presidente, cega e surda, prefere persistir no erro, resta apontar-lhe, e a seu vice, a alternativa da renúncia, o que abriria as portas à antecipação das eleições" .
Os sectários, evidentemente, rejeitarão de imediato e no todo a proposta de Magnoli, carimbando golpismo em cima dela e tudo fazendo para que o Titanic brasileiro continue navegando a todo vapor na direção do iceberg.
Eu a vejo como uma saída civilizada para a crise, que merece reflexão. Apostas na base do tudo ou nada! quase sempre levam os jogadores à penúria. Há situações nas quais não convém flertarmos com o desastre.
Fonte: REPTO PARA DILMA: COMPOR GOVERNO DE UNIÃO NACIONAL OU RENUNCIAR.»
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