São Paulo caminha numa marcha de insensatez que nos levará a uma situação limite, se não for revertida de algum modo. E, embora deseja-se, não vejo o que poderá revertê-la.
E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez, e tu com ela, poeira da poeira!". Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, ele te transformaria e talvez te triturasse. A pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir!
Fonte: Um caso sem esperança – a intolerância continuada de São Paulo.»
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