Por onde passei nestas últimas semanas e meses, lá vinha a pergunta inevitável: quem você acha que vai ganhar as eleições? Invariavelmente, respondia que não poderia responder com qualquer certeza, até porque, se soubesse, ficaria rico. O pessoal da jogatina na bolsa e no dólar pagaria qualquer preço para saber a resposta correta.



Nesta véspera da mais disputada eleição presidencial dos últimos muitos anos, estava nesta manhã cinzenta de sábado navegando pelos portais em busca das últimas informações, quando encontrei um texto de Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa, do grande Alberto Dines, que resume bem o que penso neste momento e me dispensa de ter que escrever muito, pois, confesso, estou cansado desta campanha, uma disputa de baixo nível, que em nenhum momento conseguiu mobilizar corações e mentes.



Sob o título "A verdade na boca da urna", meu amigo e vizinho Luciano foi direto ao ponto:



"Seja qual for o resultado da votação de domingo, pode-se dizer que a imprensa sai como a grande perdedora, porque não conseguiu colocar seu candidato predileto em condições de vencer a eleição. Até este momento, mesmo o mais otimista entre os adeptos da candidatura de Aécio Neves considera altamente improvável que ele consiga coletar os votos para superar o primeiro turno com potencial para levar consigo uma porcentagem significativa de apoios ente os adeptos de Marina Silva.



Na coluna "Panorama Político" do Globo (entregue ao competente e correto Ilimar Franco), lê-se que, se a ex-ministra não for para o segundo turno, seus correligionários vão se dividir, com uma parte aderindo ao PSDB e outra voltando ao ninho petista, onde as carreiras de Eduardo Campos e de Marina Silva foram geradas. Em outra coluna do mesmo jornal, também se pode apreciar como a derrota iminente pode afetar o senso crítico, em um texto que dá voz a teorias conspiratórias e prevê uma grave crise institucional no próximo governo.



Embora possa parecer ocioso repetir as evidências de que as grandes empresas de comunicação agem como uma organização partidária, convém discutir o uso que fazem dos institutos de pesquisa, como referência de uma objetividade que de fato não existe. Uma coisa é a coleta de dados e a complexidade das análises que são produzidas por profissionais a serviço dessas organizações. Outra coisa é o conjunto de informações que os editores selecionam para levar ao público.



Observe-se, por exemplo, como, segundo o Ibope, a taxa de rejeição da presidente Dilma Rousseff caiu de 36% no dia 25 de agosto para 29% na quinta-feira. Se isso é real, trata-se de um fenômeno de comunicação. Na verdade, esse número sempre coincidiu com os 23% a 29% dos que consideram seu governo "ruim ou péssimo", que, no contexto brasileiro, é o critério mais confiável para definir o núcleo duro da oposição.



A mídia tradicional passou toda a campanha tentando ampliar esse campo, em sua cruzada contra o partido que governa o país desde 2003, mas falhou mais uma vez".



Volto eu. Agora, já no desespero, à beira de um ataque de nervos, leio que alguns porta-vozes do Instituto Millenium deram para desconfiar até da segurança das urnas eletrônicas, um sistema de votação e apuração respeitado em todo o mundo. Ridículo.



Só nos resta votar. Neste domingo, a partir das 16h30, estarei ao lado de Heródoto Barbeiro e Nirlando Beirão acompanhando a marcha das apurações na Record News (canal 78 na NET).



Até lá.






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Em tempo:



Pesquisas casadas | Último ato pra inflar as intenções de voto no cambaleante candidato tucano e mirrar de vez as esperanças de Marina.






Candidato tucano tem 24% das intenções de voto, contra 21,4% da ex-senadora. Dilma lidera com 40,6% e venceria ambos no segundo turno.



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Eleitor desconfiado vota em Dilma e deixa Aécio e Marina juntos em segundo lugar






Correio do Brasil - As pesquisas de opinião, na reta final das eleições presidenciais deste ano, mostram um eleitor cada vez mais desconfiado das propostas tanto de Marina Silva (PSB/Rede Sustentabilidade) quanto de Aécio Neves (PSDB) e disposto a encerrar a fatura eleitoral já no primeiro turno. O declínio de Marina e a estabilização de Aécio, com o crescimento de Dilma, formam um quadro no qual o senador mineiro tem chances de ultrapassar a concorrente acreana, mas corre o risco de sequer chegar à segunda chance de disputar o ingresso no Palácio do Planalto, se as urnas decidirem os destinos do país no próximo domingo.



Em alta nas últimas quatro pesquisas Datafolha, nas quais recuperou cinco pontos percentuais enquanto a adversária Marina Silva perdeu, na mesma plataforma, nove pontos também em quatro levantamentos, Aécio Neves já deixou Marina, do PSB, para trás na região Sul e está em empate técnico no Norte e no Sudeste. Para crescer ainda mais, a ponto de desfechar uma virada sobre Marina, o ex-governador de Minas concentra-se nesta última semana no corpo a corpo em Minas, Rio de Janeiro e São Paulo.



Marina Silva, que nesta segunda-feira fez campanha em São Paulo, num evento para intelectuais, enfrenta problemas que Aécio não tem. A direção do PSB está às turras, com brigas públicas entre o candidato a vice Beto Albuquerque e o presidente Roberto Amaral. Aécio, se ainda não tem o apoio que gostaria de ter dos tucanos paulistas, animou a militância do partido e ouviu, como disse, seu telefone “voltar a tocar”.



Escorregando e caindo em contradições, depois de flagrada na mentida pela presidente Dilma Rousseff, em debate pela TV, sobre seu voto a favor da CPMF, que na verdade foi contra, Marina é alvo de críticas diárias. Aparentemente calma e com a voz pausada, Marina perdeu essas características ao tentar se livrar da pecha de ‘mentirosa’ e, na noite passada, chegou a perder a linha com repórteres. O pior para ela é o fato de não estar conseguindo responder a estes desafios da campanha. Prova está no declínio acentuado que ela vem apresentando em todas as pesquisas.



Com uma rejeição apurada pelo Datafolha em 20%, Aécio está à frente de Marina também nesse quesito. Ela não seria votada por 23% do entrevistados da pesquisa divulgada na terça-feira 30.

– As tendências costumam se acentuar no final de semana da eleição e, especialmente, no próprio dia – afirmou o diretor do Datafolha, Mauro Paulino, a respeito das curvas de Aécio e Marina, em uma entrevista a um canal de TV para assinantes.

Entre a sexta-feira 26 e a terça 30, a candidata do PSB/Rede Sustentabilidade perdeu dois pontos, enquanto Aécio subiu dois pontos. Marina caiu nas últimas quatro pesquisas Datafolha e Ibope, Aécio cresceu no mesma sequência de levantamentos. Nessa velocidade, ninguém vai estranhar um possível empate técnico entre eles já nesta sexta-feira, quando será divulgada a pesquisa do Datafolha.



A estrutura maior do PSDB sobre o PSB tem tudo para marcar uma diferença crucial na reta final. Na base, o partido dos tucanos tem uma militância nas grandes cidades como São Paulo e, em particular, Belo Horizonte, que os socialistas não têm como contar. Aos pedidos por “garra” transmitidos pelo ex-presidente Fernando Henrique, que antes falava em “não melindrar” Marina, os tucanos estão procurando corresponder num cerco de entusiasmo a Aécio.



O senador Aécio, porém, sabe de seus próprios limites. O ponto mais baixo de Marina, que fez 20% dos votos na última eleição presidencial, pode ser maior que o dele. O melhor resultado de Aécio nos grandes institutos foi de 22%. Se ele resgatar essa melhor performance, provavelmente terá feito o suficiente, de maneira heroico, para passar para o segundo turno. Lá, como circula entre os políticos, ‘é outra eleição’.




Fonte: Seja qual for o resultado da votação no domingo (5), pode-se dizer que a imprensa sai como a grande perdedora _+_Eleitor desconfiado vota em Dilma e deixa Aécio e Marina juntos em segundo lugar»

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