CONJUNTURA

América Latina desacelera

Dificuldades econômicas do Brasil, país com maior peso na região, levam os índices de crescimento para baixo





ROSANA HESSEL




Apesar de o ambiente externo parecer positivo para os países emergentes, as economias latino-americanas estão em ritmo de desaceleração. A boa notícia para essas nações é que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) sinalizou que vai manter as taxas de juros baixas por mais algum tempo, e o Banco Central Europeu (BCE) anunciou recentemente novas medidas expansionistas. Apesar disso, os mercados emergentes da América Latina não conseguem se beneficiar desse cenário relativamente favorável.



Não à toa, os economistas do banco Itaú estão pessimistas em relação à América Latina, reduzindo suas estimativas de crescimento para a região, antes de 2% para 1,6%. A expectativa de alta do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil neste ano caiu de 1,4% para 1%. Já a previsão para o México recuou de 2,7% para 2,4%. A taxa prevista para o Peru encolheu de 5,3% para 5%, e a do Chile, passou de 3,3% para 2,8%.



Consumo

A consultoria britânica Capital Economics também não demonstra otimismo em relação aos países latino-americanos e sugere uma desaceleração regional. Para os especialistas da companhia, o crescimento no primeiro semestre dos países latinos não vai ultrapassar 2%. “Vários fatoresestão em jogo. No Brasil, há sinais de que os gastos dos consumidores — principal motor do crescimento econômico ao longo da última década — estão começando a recuar face ao aumento da inflação e dos juros. Na Argentina, o deficit na balança de pagamentos está impactando na atividade econômica. A exceção é o México, que acompanha o ritmo de recuperação dos Estados Unidos”, explicou o economista-chefe para mercados emergentes Neil Shearing.



Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú, considera que, cedo ou tarde, a liquidez global voltará a ficar mais apertada e isso afetará o crescimento dos países latino-americanos. “Continuamos projetando juros nos EUA para cima e taxas de câmbio mais depreciadas para os emergentes no futuro. Mas é interessante notar que os efeitos favoráveis desse quadro atual parecem estar se esgotando. Os preços das commodities reverteram a tendência de alta nos primeiros meses do ano, e as moedas dos emergentes pararam de apreciar, à medida que o crescimento decepciona”, disse. “No Brasil, a dinâmica da atividade econômica nos preocupa ainda mais. A queda dos índices de confiança de empresários e de Sconsumidores nos últimos meses impressiona, gerando dúvidas sobre o desempenho do consumo e do investimento no segundo semestre. Nesse ambiente, o Banco Central (BC) parou de subir juros, mesmo com a inflação se mantendo próxima do teto da meta”, completou.





» Desvalorização



Na avaliação do economista do Itaú Ilan Goldfajn o real tenderá a se desvalorizar daqui para frente, especialmente, porque o câmbio será a principal ferramenta do governo para segurar a inflação no atual patamar, próximo a 6,5%, teto da meta. A seu ver, o Banco Central deverá manter a taxa básica de juros (Selic) em 11% até o fim do ano. “Por isso, a gente acredita que o câmbio é fundamental para segurar a inflação. O BC vai manter o câmbio em situação confortável e, desta forma, anunciou a oferta de swap cambial”, disse.


Fonte: Reportagem do jornal Correio Braziliense. América Latina desacelera Dificuldades econômicas do Brasil, país com maior peso na região, levam os índices de crescimento para baixo.»

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