Reportagem do jornal Correio Braziliense

Oposição vai ao TSE contra fala de Dilma

Em baixa nas pesquisas, presidente faz pronunciamento na tevê, defende o legado do Mundial e afirma que o país está pronto para receber os jogos. Adversários acusam petista de uso da máquina e campanha antecipada



PAULO DE TARSO LYRA

DANIELA GARCIA
















Segundo Dilma Rousseff, os pessimistas
Segundo Dilma Rousseff, os pessimistas "foram derrotados pela capacidade de trabalho e a determinação do povo brasileiro, que não desiste nunca"

Em queda nas pesquisas de intenção de voto e nos índices de aprovação de governo e com a possibilidade de segundo turno cada vez mais consolidada, a presidente Dilma Rousseff aproveitou o pronunciamento em cadeia de rádio e televisão sobre a Copa d Mundo para fazer propaganda política da própria gestão. Ela exaltou a construção dos estádios e afirmou que as obras previstas de infraestrutura ficaram prontas. A oposição classificou o pronunciamento de propaganda eleitoral subliminar, lembrou que a presidente Dilma Rousseff não vai discursar na abertura da Copa por medo das vaias e prometem entrar com nova representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por propaganda eleitoral antecipada.



Em nota oficial, o PSDB afirma que “a presidente buscou uma forma de se esquivar do contato direto com os brasileiros, com o intuito de evitar a repetição das manifestações que ocorreram na Copa das Confederações”. De acordo com os tucanos, a presidente surpreendeu ao “utilizar o pretexto da Copa do Mundo para criticar milhões de brasileiros que vêm legitimamente manifestando sua discordância com a forma como o governo encaminhou os preparativos do evento”. E que, ao agir assim, “mais uma vez deixa claro que não entendeu a mensagem das ruas”.



Dilma usou a inclusão social vivida pelo país nos últimos anos para justificar as passeatas. “Temos uma democracia jovem, dinâmica e pujante e convivemos com manifestações populares e reivindicações que nos ajudam a aperfeiçoar, cada vez mais, nossas instituições democráticas”. E utilizou um conhecido bordão futebolístico — treino é treino, jogo é jogo — para assegurar que tudo dará certo. “No jogo, que começa agora, os pessimistas já entram perdendo. Foram derrotados pela capacidade de trabalho e a determinação do povo brasileiro, que não desiste nunca”, afirmou a presidente.



Ela ressaltou que os estádios ficaram prontos e que o país dobrou a capacidade em seus aeroportos. E que os investimentos em saúde e educação superavam os gastos com a Copa. Para o presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia (RN), a presidente não se emenda. “Aquilo é propaganda eleitoral. A presidente aproveita qualquer coisa para fazer propaganda sub-reptícia e subliminar de seu governo”. Para Agripino, a presidente, em uma tentativa de driblar a legislação eleitoral, aproveitou o pronunciamento sobre a Copa para afirmar “coisas óbvias, meias verdades e fazer apologia à sua gestão”.



O líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA). “A presidente vive no mundo da fantasia. É um fim melancólico de um governo fraco conduzido por um partido decadente cujo brilho se apagou”, disse Imbassahy. Ele lembrou que tantas aparições na televisão não ajudam a presidente a reverter o processo de queda nas pesquisas. “A imagem dela perante o eleitorado está tão desgastada que, toda vez que ela aparece em cadeia de rádio e televisão, mais ela cai nas pesquisas de intenção de voto”, acrescentou Imbassahy.



Tom partidário


Na avaliação de cientistas políticos consultados pelo Correio, o pronunciamento da presidente Dilma Rousseff apresentou o mesmo tom otimista das propagandas partidárias do PT, também exibidas ontem, em uma tentativa de contrapor-se ao discurso do medo veiculado nas mensagens petistas anteriores. O especialista da Universidade de Brasília (UnB) João Paulo Peixoto avaliou que a estratégia da legenda é “colar” a imagem de Dilma ao momento de patriotismo e afirmação nacional, que são próprios da Copa do Mundo. “É sabido que o brasileiros prezam muito pelo futebol”.



O professor de Ciência Política da UnB Lúcio Rennó analisou que o contexto eleitoral esteve presente todo o tempo. “Usaram uma série de indicadores internacionais em situações diferentes, principalmente para destacar a redução da pobreza e desigualdade, que é parte fundamental do programa partidário do PT”, comentou. Apesar de concordar que é dever da presidente fazer um pronunciamento antes do início do megaevento a ser realizado no Brasil, Renó argumentou que o discurso, apesar de mostrar os esforços do governo, não esgotou as dúvidas da população sobre os casos de atrasos e superfaturamento de obras da Copa. “Eu acho que ainda falta o governo dar uma explicação mais clara, fazer uma prestação de contas à população sobre os atrasos. Porque é isso que tem incomodado os brasileiros: as obras inacabadas e os orçamentos que extrapolaram muito”, afirmou ele.



“A presidente buscou uma forma de se esquivar do contato direto com os brasileiros, com o intuito de evitar a repetição das manifestações que ocorreram na Copa das Confederações”

Nota publicada pelo PSDB



“Aquilo é propaganda eleitoral. A presidente aproveita qualquer coisa para fazer propaganda sub-reptícia e subliminar de seu governo”

José Agripino Maia, presidente do DEM



“Ainda falta o governo dar uma explicação mais clara, fazer uma prestação de contas à população sobre os atrasos. Porque é isso que tem incomodado os brasileiros: as obras inacabadas e os orçamentos que extrapolaram muito”

Lúcio Rennó, cientista político da Universidade de Brasília

Fonte: A 'oposição sem rumo' e sua consorte a mídia amiga dizem que a presidenta está em baixa nas pesquisas eleitorais é o que chamo de desejo, mas que foge a realidade, porque, ela está com 40% e os outros não chegam a levar a eleição nem para o segundo turno. Abobrinhas e frases de efeito não vencem eleições. Tá dando pena!»

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