Fazer por merecer títulos e reconhecimento internacional é uma vaidade da maioria dos intelectuais, cientistas e artistas, e mesmo aqueles que evocam desgarramento em relação ao mundo das lisonjas estão de alguma forma sendo vaidosos.
Não é pecado querer ser reconhecido, mas é preciso saber os dissabores de ser o que somos, ou melhor, da ideologia política que temos. Tomando o caso do Brasil, há hoje claro clima desfavorável aos intelectuais que não seguem o mainstream. Por exemplo, as mortes de Niemayer e Garcia Marques, dois ícones de nosso tempo que mesmo depois do gurufim foram tachados de “meio” idiotas em função de suas afinidades ideológicas.
Pouco espaço para visões e perspectivas e ataques camuflados de crítica imparcial, são expedientes bastante comuns. Alguém, por exemplo, já percebeu a baixa exposição do neurocientista Nicolelis nos meios de comunicação tradicionais do Brasil? A sua exposição se dá mais pelo forçoso fato de que a pesquisa que ele e equipe conduzem é importante demais para não ter uma linha sequer de exibição, mesmo assim, é baixa a sua participação em programas de TV de grande audiência.
Fonte: Nicolelis, o brasileiro que não atende ao mainstream»
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