Por Ana Maria Prestes, no site Vermelho:





Naquele 25 de abril de 1974 o Brasil amargava 10 anos de ditadura militar. Como bem disse Chico Buarque na canção “Tanto Mar”:





"Eu queria estar na festa, pá

Com a tua gente

E colher pessoalmente

Uma flor no teu jardim

Sei que há léguas a nos separar

Tanto mar, tanto mar

Sei, também, que é preciso, pá

Navegar, navegar

Lá faz primavera, pá

Cá estou doente

Manda urgentemente

Algum cheirinho de alecrim"




Realmente estávamos doentes, de um mal agudo de repressão à população brasileira e de falta de liberdade e democracia. A madrugada embalada pela “Grândola, Vila Morena” de Zeca Afonso soprou esperança nos ouvidos e nos corações daqueles que resistiam por um Brasil de verdade, com liberdades e justiça social.



E, certamente, não só o vermelho forte dos cravos como o perfume de uma vigorosa revolução democrática alcançou o lado de cá, trazendo esperança e força moral para o povo brasileiro que ainda enfrentou 10 anos de ditadura militar até alcançar seu processo de redemocratização na década de 80. A revolução dos Cravos foi importante fonte de inspiração para a resistência democrática brasileira até o fim do período ditatorial.



De todas as revoluções democráticas e populares já havidas no mundo, a Revolução Portuguesa de 25 de abril, certamente, é uma das mais belas e poéticas. Inspira até hoje milhares de jovens e trabalhadores lutadores por um mundo melhor. O vermelho dos cravos e a beleza das músicas e poesias que cantaram a revolução até hoje emocionam profundamente os revolucionários pelo mundo.



Mas nada se deu instantaneamente, foi preciso perseverar na luta e na defesa das conquistas. Coisa que os comunistas portugueses fizeram com muita valentia e amor por seu país e seu povo. Hoje, 40 anos após a noite crucial de 25 de abril, o PCP segue renovando a luta pelo socialismo e pelo fim das mazelas do capitalismo que assolam, em especial no último período, a Europa de maneira geral.



Os comunistas portugueses tem sido, ao longo de décadas, guardiões e lutadores na defesa dos direitos do povo português. Na sequência de abril, quantas conquistas importantes se deram, com o fim do fascismo, da guerra colonial, dos embates agrários, da repressão salazarista, o processo de liberação da mulher, a eliminação das censuras de todo o tipo. Relembrar aquele 25 de abril de 1974 é reafirmar, uma vez mais, a continuidade da luta de um povo por democracia e justiça social.



O 25 de abril será sempre lembrado por nós como,



“...a hora da verdade

para as hienas que mandavam

a hora da claridade

para os sóis que despontavam

e a hora da vontade

para os homens que lutavam” [*]


Viva a Revolução dos Cravos!

25 de abril sempre!



* Trecho de “As Portas que Abril Abriu”, de José Carlos Ari dos Santos, 1975



Fonte: Os 40 anos da Revolução dos Cravos»

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