Dólar cai nos emergentes; Brasil lidera

Desemprego nos EUA e expectativa de piora na avaliação de Dilma levaram moeda a R$ 2,247, menor cotação desde 4/11

Decisão do BC de vender dólares no mercado também contribuiu para a queda na cotação da moeda americana

ANDERSON FIGO ÉRICA FRAGA DE SÃO PAULO O real liderou uma tendência de valorização entre moedas de países emergentes em relação ao dólar ontem.

A moeda americana teve queda de 1,39% em relação à brasileira e atingiu R$ 2,247, a menor cotação desde 4 de novembro de 2013.

Dados piores que o esperado do mercado de trabalho americano ajudaram o dólar a perder força pelo mundo.

No caso do Brasil, o movimento foi impulsionado ainda pela expectativa do mercado de que uma nova pesquisa eleitoral mostrará piora na avaliação da presidente Dilma Rousseff.

De acordo com o sistema de busca de pesquisas eleitorais do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o Datafolha registrou no dia 31 de março uma pesquisa eleitoral com divulgação prevista para este fim de semana.

"Existe uma contaminação forte do aspecto eleitoral que alavancou esse movimento", disse Sidnei Nehme, diretor da NGO Corretora.

As intervenções do Banco Central no mercado de câmbio também contribuíram para a valorização do real.

Segundo operadores, havia dúvidas em relação à realização de leilões de swap --operações que equivalem à venda futura de dólares-- para rolagem de papéis com vencimento em 2 de maio.

Isso porque esse tipo de operação tende a provocar queda na cotação do dólar, que tem recuado em relação ao real nas últimas três semanas. Mesmo assim, a autoridade rolou 10 mil papéis.

A depreciação da moeda americana ajuda a controlar a inflação pois reduz o valor de bens importados, mas prejudica o setor exportador.

"A rolagem é um sinal de que o BC está gostando do alívio no câmbio. É perigoso achar que o caminho para aliviar a inflação é o câmbio", diz Paulo Petrassi, sócio-diretor da consultoria Leme Investimentos.

"Se o dólar cai muito, os brasileiros gastam mais no exterior, as empresas daqui importam mais e nossas exportadoras ganham menos, provocando um caos nas contas públicas", afirma.

Os desenvolvimentos do mercado doméstico contribuíram para que o real encabeçasse a lista das moedas emergentes que ganharam espaço em relação ao dólar ontem.

No contexto global, a valorização das moedas emergentes foi provocada pela divulgação de que foram gerados 192 mil empregos nos EUA em março, um pouco menos do que as 200 mil novas vagas esperadas por analistas. O desemprego nos EUA ficou estável em 6,7%.

Para economistas, o resultado reduz as chances de que o Fed (banco central americano) vá acelerar a retirada de estímulos monetários e, depois, subir os juros.

Essa avaliação indica que os retornos oferecidos por ativos de países emergentes poderão continuar atrativos em relação aos papéis do Tesouro americano por mais tempo do que o esperado.

"A interpretação foi que o Fed não subirá o juro americano antes de meados de 2015", diz Reginaldo Siaca, superintendente de câmbio da Advanced Corretora.

A Bolsa brasileira chegou a subir 1,7% ao longo do dia ontem, mas perdeu força com a queda dos índices de ações americanos e fechou em baixa de 0,63%, a 51.081 pontos.



Fonte: Diz o jornal Folha de São Paulo:"No caso do Brasil, o movimento foi impulsionado ainda pela expectativa do mercado de que uma nova pesquisa eleitoral mostrará piora na avaliação da presidente Dilma Rousseff". A perseguição e a manipulação é uma marca da mídia cúmplice.»

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