Em nome do ex-ministro José Dirceu, e como ele sempre fez em se tratando de democracia e liberdade, celebramos ontem, e com texto dele feito há algum tempo, os 40 anos da Revolução dos Cravos – ou dos Capitães, ou Movimento das Forças Armadas, como ela também foi chamada -, quatro décadas que se completam efetivamente hoje.



Mas resolvemos abrir uma exceção e comemorar de novo hoje, porque democracia e liberdade sempre merecem ser comemorados. E porque hoje a gente celebra de forma diferente, recomendando a vocês a leitura de dois belos textos publicados na Folha de S.Paulo, um o artigo do veterano Clóvis Rossi – vejam vocês, ele cobriu a derrocada da ditadura lá, mais uma cobertura dele! – publicado sob o título “Revolução foi como um ‘porre democrático’. O outro é uma análise de Gisele Lobato, enviada de Lisboa e publicada no mesmo jornal com o título ‘Capitães no Divã’.



O texto do Rossi, vejam vocês, apesar de tratar de uma revolução, tem humor, inclusive, e não sao piadas de português não, daquelas que costumamos fazer sobre os patrícios; e eles, sobre nós. Leiam, que vocês vão gostar. Humor à parte, o Rossi registra: “Pena que o 40º aniversário da revolução mostre cravos murchos pela dura política de austeridade implementada nos últimos cinco anos e que fez o país (Portugal) retroceder em muitos aspectos”.



Portugal “endireitou’ e só se afundou na crise



“Já não dá para torcer – conclui o articulista – que o Brasil se transforme em “um imenso Portugal” como pedia Chico Buarque no seu “Fado Tropical”. É o mesmo tom que permeia a análise de Gisele Lobato em seu texto Capitães no Divã, ou seja, o lamento da articulista e dos militares que fizeram a revolução de esquerda, pelo fato de Portugal ter “endireitado” tanto, ter seguido tão fielmente a cartilha e doutrina ortodoxas da troika FMI-Banco Central Europeu-Comunidade e União Europeia e tenha chegado ao fundo do poço de tão grave crise econômica.



Ou seja, seguido exatamente e tão ao pé da letra aquele receituário dessa troika, que Zé Dirceu, centenas de vezes advertiu aqui em seu blog desde a eclosão da crise econômica global de 2008, não devia ter sido imposto. Não podia nem devia ter sido aceito pelos países em crise e cujos efeitos – da crise e da aceitação – o mundo sente até agora, dos quais a maioria dos países ainda não conseguiu se livrar.



Leiam Clóvis Rossi em sua pensata Revolução foi como um ‘porre democrático’, que Dirceu lembrou anteriormente, teve seus efeitos também no Brasil, também aqui se festejou, embora se tenha precisado esperar mais 11 anos pela nossa redemocratização: e Capitães no Divã, sobre a frustração dos militares que fizeram a revolução e viram Portugal dar, de novo, uma guinada para a direita. Leiam, também, o texto de Zé Dirceu republicado ontem: O encanto especial e inesquecível da Revolução dos cravos




Fonte: A festa que a Revolução dos Cravos trouxe a Portugal, ao Brasil e ao mundo»

0 comentários