Gustavo José Conde




Minha singela homenagem a Paco de Lucía. Assim, de bate-pronto, na emoção da perda... E nas lembranças que povoam meu pensamento.



Paco



Quem és?

Quem toca?

Quem acorda?



O passo andaluz trairá seus ouvidos.

A sanha inquieta dos dedos,

O ataque percussivo dos cúbitos.

O corpo, a traste, o cavalete,

Violão, mulher em punho.

Tensão, repuxo, coroa

Ressonância.

Teu corpo, um só, comigo.



Que lugar é esse?

Que mediterrâneo?

De onde vem?

Que pulso, que ação?



Interrogas, ó poeta,

Para deixar que o silêncio responda,

Que o ar preencha,

Que os luthiers trabalhem.



Ossos da mão,

Unhas polidas.

Cascos e rastros se alastram.

Nunca mais haverá ferida




Fonte: Um poema para Paco de Lucia»

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