Claudia Jardim, via BBC Londres



Popular, carismático, imprevisível, arrogante e sedento de poder. Essas são algumas das características que analistas e líderes políticos costumam usar para definir Leopoldo Lopez, o mais novo inimigo público do governo venezuelano de Nicolas Maduro.



Referência da ala radical da oposição venezuelana, Lopez está sendo procurado pela Justiça venezuelana [Nota: foi preso na noite de terça-feira, dia 18]. Ele é acusado de ser o autor intelectual da onda de protestos violentos que tomou a capital do país nos últimos dias.



As marchas se tornaram mais violentas na quarta-feira, dia 12, quando três homens foram mortos durante um protesto contra o governo. Maduro acusa Lopez de incitar a violência: “Lopez ordenou que todos esses jovens violentos, treinados por ele, destruíssem metade de Caracas e então resolveu se esconder”, disse o presidente.



“Golpe”



Lopez se converteu na mais nova dor de cabeça do ex-candidato presidencial e governador Henrique Capriles – líder do setor moderado da coalizão opositora – desde que decidiu colocar em prática o plano chamado “A saída”. Apoiado pelo movimento estudantil, o plano consiste em intensificar a onda de protestos no país até levar o presidente à renúncia.



“Ainda acreditam que devemos esperar até 2019 [fim do mandato de Maduro] para sair deste regime?”, questionou Lopez, em seu perfil no Twitter, ao convocar os protestos. Essa declaração foi interpretada pelo governo como um chamado a um golpe de Estado.



A escalada de violência que tem marcado o tom dos protestos nos últimos dias preocupa aos “moderados” da oposição. Um dos membros da Mesa de Unidade Democrática (MUD) afirmou à BBC Brasil que o setor moderado da oposição tentou dissuadir Lopez de sua “aventura” com os estudantes.



Ambições pessoais



Conservador, vinculado aos partidos de direita da região, Lopez é visto como um “maverick” – jargão político para definir quem desobedece as linhas do partido – na avaliação do analista político Carlos Romero, professor da Universidade Central da Venezuela. “Lopez tem um estilo muito personalista, pouco institucional. Ele está sempre em permanente busca de protagonismo”, afirmou Romero.



A seu ver, a polêmica decisão de levar a população às ruas para promover uma mudança de governo é uma manobra que tem como objetivo “ambições pessoais”, mas que pode levar à crise toda a coalizão opositora. “Leopoldo é um dirigente que neste momento está promovendo danos importantes à oposição democrática”, afirmou.



Sua habilidade em promover rupturas entre aliados políticos também foi destacada com preocupação por um conselheiro político da embaixada dos Estados Unidos em Caracas. Em documento de 2009 vazado pelo WikiLeaks, Robin D. Meyer qualificou a Lopez como um “político desagregador da oposição, arrogante, vingativo e sedento de poder.”



Carreira



Ex-prefeito do munícipio de Chacao (2000-2008), Lopez, de 43 anos, vem de uma das famílias da elite venezuelana, ligada ao setor industrial e petroleiro.



Como prefeito, participou ativamente dos protestos que culminaram no golpe de Estado que derrotou brevemente o governo Chavez. Desde então, não pode se desvincular do rótulo de “golpista”, atribuído pelo governo e seus seguidores.



Em 2008, uma acusação de mau uso de recursos públicos, como prefeito de Chacao, fez com que o político fosse inabilitado politicamente pela justiça da Venezuela. Essa decisão do tribunal impediu que líder opositor se projetasse como potencial candidato presidencial.



Formado em Harvard, sua carreira política começou no Partido Primeira Justiça, o mesmo de Capriles. Um racha interno o levou a abandonar o grupo. Ele então se filiou ao partido conservador Um Novo Tempo, onde permaneceu pouco tempo, até fundar seu atual partido Voluntad Popular.



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